O ex-prefeito de Assú Ivan Júnior, candidato a deputado estadual pelo MDB, condenou a tentativa de nacionalização da disputa pelo Governo do Rio Grande do Norte. Em entrevista ao podcast Eleições 2026, da TV Agora RN (disponível no YouTube), ele afirmou que a reprodução no RN da polarização entre esquerda e direita não contribui para solucionar os problemas enfrentados pelo Estado.
Aliado do candidato a governador Allyson Bezerra (União), Ivan Júnior defendeu que os eleitores avaliem a capacidade administrativa dos candidatos, independentemente dos vínculos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “A radicalização não é boa para ninguém”, afirmou o ex-prefeito de Assú.

Na avaliação de Ivan, a ligação entre a governadora Fátima Bezerra (PT) e o presidente Lula não provocou os efeitos esperados pelo eleitor, apesar da promessa na eleição de 2022. “A governadora tem um alinhamento diretamente com o presidente Lula. E é do mesmo partido. O que foi diferente para o Rio Grande do Norte?”, questionou.
Na campanha estadual de 2026, o candidato Cadu Xavier (PT) explora a ligação com Lula, enquanto Álvaro Dias (PL) busca reunir o eleitorado identificado com o bolsonarismo. Allyson, por sua vez, apresenta-se como um candidato de centro e sustenta que manterá diálogo institucional com o presidente da República eleito, qualquer que seja sua orientação política.
Ivan Júnior afirmou concordar com essa posição e argumentou que o alinhamento ideológico, por si só, não assegura resultados administrativos.
“Se você está com seu filho doente, ele precisa de um médico. Se você tem uma ideologia política, você vai escolher um médico porque ele é da mesma ideologia ou porque ele é competente? Geralmente, a pessoa vai pelo melhor médico, o melhor profissional para cuidar do seu filho”, comparou. Segundo o candidato, o eleitor deverá buscar quem demonstre “vontade de transformar” e capacidade para administrar o Rio Grande do Norte.
O ex-prefeito também contestou a avaliação de que Allyson possa repetir em 2026 a trajetória de Carlos Eduardo Alves na eleição municipal de Natal em 2024. Naquele pleito, Carlos Eduardo começou a disputa na liderança das pesquisas, mas perdeu espaço durante a campanha e ficou fora do segundo turno em meio à polarização entre as candidaturas apoiadas pelo PT e pelo bolsonarismo.
Para Ivan, a derrota não decorreu principalmente do embate ideológico, mas da falta de uma estrutura política mais ampla. “O que aconteceu com Carlos Eduardo, que foi um grande gestor da cidade de Natal, não foi pela polarização. Eu acho que foi pela falta de um grupo naquele momento”, avaliou. Ele citou o tempo reduzido no horário eleitoral e a ausência de uma aliança com maior número de vereadores e lideranças.
Ivan Júnior afirmou que Allyson enfrenta uma situação diferente porque conta com uma coligação mais estruturada — são oito partidos — e apoiadores distribuídos por várias regiões. Também ponderou que a dinâmica eleitoral da capital não se reproduz necessariamente no interior, onde fatores locais e regionais possuem maior influência sobre a decisão do eleitor.
O candidato do MDB defendeu que o próximo governador mantenha diálogo com o Governo Federal independentemente do resultado da eleição presidencial. “Quem quer que seja o presidente vai ter que ter um bom governador aqui na ponta, tocando o Estado, apresentando bons projetos para poder dar conta do recado”, afirmou. Para ele, sem uma gestão estadual preparada, o alinhamento partidário com Brasília não será suficiente para recuperar a capacidade de investimento do Rio Grande do Norte.
Ideologia e gestão
Ivan Júnior também criticou decisões administrativas baseadas em critérios predominantemente políticos ou ideológicos. Segundo ele, propostas positivas devem ser aproveitadas independentemente de sua origem. “Nós podemos ter ideias boas de esquerda, podemos ter ideias boas de direita, podemos ter ideias boas de centro. Devem ser colocadas em prática porque são ideias boas”, declarou.
Além do apoio ao projeto de Allyson, Ivan apresentou a defesa do Vale do Açu como uma das principais razões de sua candidatura à Assembleia Legislativa. Ele destacou a contribuição econômica da região nas áreas de fruticultura, carcinicultura, petróleo, sal e energias renováveis, mas afirmou que os municípios não recebem investimentos públicos proporcionais à riqueza que produzem.
“Hoje nós não temos nenhum representante na Assembleia Legislativa. Estamos praticamente abandonados, em nível de Vale do Açu, em representatividade na Assembleia”, disse. O candidato argumentou que a ausência de um parlamentar reduz a capacidade regional de reivindicar melhorias em estradas, segurança, educação e infraestrutura.
O Vale do Açu elegeu George Soares deputado estadual em 2022, mas o parlamentar renunciou ao mandato para assumir o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN). Ivan Júnior criticou a decisão do adversário político e afirmou que a região perdeu a representação conquistada nas urnas. “O Vale ficou órfão”, declarou.
“Ele (George Soares) optou por um projeto pessoal em vez de representar um projeto regional, um projeto em que as pessoas depositaram o voto e a confiança para poder defender nossa região”, afirmou.
Ivan disse que sua candidatura nasceu de conversas com lideranças, setores produtivos e moradores de Assú e de outros municípios do Vale. Ele defendeu que a região volte a participar diretamente das discussões estaduais e tenha um representante capaz de cobrar investimentos. “Se não tiver aquela pessoa que represente, que conheça, que lute, que grite, que brigue e que defenda a região, dificilmente nós vamos ser atendidos”, concluiu.