O Irã autorizou a passagem de navios que transportam bens essenciais para seus portos pelo Estreito de Ormuz, segundo informações divulgadas neste sábado 4 pela agência estatal Tasnim.
De acordo com a publicação, a medida consta em uma carta que determina que embarcações, inclusive as que já estão no Golfo de Omã, devem coordenar a travessia com autoridades iranianas e seguir protocolos específicos para cruzar a região.

A autorização ocorre em meio à restrição ao tráfego marítimo mantida pelo Irã desde o início do conflito com Estados Unidos e Israel, no fim de fevereiro, com limitação da circulação de navios na área.
Na prática, a liberação não representa uma reabertura completa da rota, mas uma flexibilização para cargas consideradas essenciais.
O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas estratégicas do mundo, por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente. A via liga o Golfo Pérsico ao mar aberto e é controlada geograficamente por Irã e Omã.
Desde o início do bloqueio, houve impacto no fluxo de navios, com reflexos no abastecimento, nos preços de combustíveis e em cadeias produtivas, como a de fertilizantes.
O tráfego no estreito foi reduzido desde o início do conflito, em meio a ataques a embarcações comerciais e à ameaça de novos episódios.
Levantamentos do setor marítimo indicam dezenas de ataques diretos a navios desde o fim de fevereiro, com registros de mortes entre tripulantes.
Atualmente, os petroleiros que cruzam a região operam sob controle iraniano. Em alguns casos, são embarcações que tentam transportar petróleo do próprio Irã diante de sanções.
Autoridades de Teerã informaram que apenas navios considerados “não hostis” podem receber autorização para atravessar o estreito, excluindo embarcações ligadas a países rivais ou aliados de Estados Unidos e Israel.
A restrição ao tráfego aumentou a pressão internacional sobre o Irã. Mais de 40 países, liderados pelo Reino Unido, pediram a reabertura da passagem e acusam Teerã de colocar a economia global em risco.
Países do Golfo Pérsico também solicitaram ao Conselho de Segurança da ONU autorização para uso da força com o objetivo de liberar a via marítima.
O governo iraniano informou que trabalha com Omã na definição de um protocolo para organizar o tráfego no estreito, mas condiciona a normalização completa ao fim do conflito com Estados Unidos e Israel.
A autorização anunciada neste sábado indica a liberação parcial da rota para entrada de itens considerados essenciais no país.