O Irã prometeu, nesta segunda-feira, uma resposta militar imediata à Marinha dos Estados Unidos após a apreensão do cargueiro iraniano Touska, que tentava furar o bloqueio naval imposto por Washington no Estreito de Ormuz. O incidente ocorre em um momento crítico, a menos de 48 horas do fim do cessar-fogo de duas semanas, e coloca em xeque a nova rodada de negociações prevista para ocorrer em Islamabad, no Paquistão.
“As Forças Armadas da República Islâmica responderão em breve e tomarão medidas de represália contra este ato de pirataria armada”, declarou o porta-voz do Estado-Maior iraniano via Telegram, acusando o governo americano de violar a trégua iniciada em 8 de abril. Segundo a agência estatal Tasnim, Teerã chegou a mobilizar drones contra embarcações militares dos EUA durante o episódio.

A interceptação da embarcação foi confirmada pelo presidente Donald Trump, que afirmou que o navio operava sob sanções do Departamento do Tesouro. O Comando Central das Forças Armadas americanas (Centcom) divulgou imagens de militares embarcando no cargueiro no Golfo de Omã.
O bloqueio no Estreito de Ormuz — por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial — é o principal ponto de atrito. Para Teerã, a suspensão da vigilância naval é condição sine qua non para o avanço diplomático. Washington, por outro lado, mantém a pressão máxima, condicionando o alívio das sanções a restrições severas no programa nuclear iraniano.
Apesar da escalada militar, o cenário diplomático emite sinais ambivalentes. Pessimismo oficial: O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que “não há planos” para a nova rodada de conversas, criticando a falta de seriedade americana. Preparativos em curso: O Paquistão mantém o isolamento da zona diplomática em Islamabad. O Serena Hotel, palco do primeiro encontro, está sob forte esquema de segurança.
Indícios de bastidores: Fontes consultadas pela CNN em Teerã indicam que uma delegação iraniana pode chegar à capital paquistanesa na terça-feira, visando uma declaração simbólica de extensão do cessar-fogo na quarta-feira.
A delegação americana, liderada pelo vice-presidente JD Vance e composta por figuras-chave como Jared Kushner, deve chegar a Islamabad ainda nesta segunda-feira. Trump voltou a ameaçar ataques à infraestrutura civil iraniana caso um consenso não seja atingido.
“Embora se declarem a favor da diplomacia, os Estados Unidos adotam atitudes que não denotam seriedade”, afirmou Esmaeil Baqaei, porta-voz da chancelaria iraniana.
Se as negociações avançarem, o mundo poderá testemunhar um encontro inédito entre os líderes dos dois países desde 1979. Contudo, o negociador-chefe do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, alertou que o país está pronto para retomar as hostilidades caso o cessar-fogo seja formalmente rompido.