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Economia

Indústria de transformação do Brasil mantém posição global em 2024 apesar de cenário externo adverso

Participação nas exportações e na produção mundial permanece estável, aponta estudo da CNI com dados da ONU
Redação
06/02/2026 | 18:39

A indústria de transformação brasileira apresentou desempenho estável em 2024, mesmo diante de um ambiente internacional marcado pela intensificação das tensões geopolíticas e por um crescimento desigual entre as principais economias. É o que mostra o estudo Indústria no Mundo, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgado nesta quarta-feira (4), que indica a manutenção das posições do Brasil nos rankings globais de exportações e produção industrial.

O levantamento utilizou dados do UN Comtrade e da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), consolidados em dezembro de 2025. Para a CNI, o resultado é positivo ao evidenciar resiliência da indústria brasileira em um contexto externo desafiador, no qual diversos países relevantes perderam espaço relativo no comércio e na produção mundial.

Indústria de transformação
Exportações apresentaram desempenho estável - Foto: José Aldenir / Agora RN

Exportações e produção: posições preservadas

No comércio exterior, o Brasil manteve participação de 0,92% nas exportações globais da indústria de transformação, repetindo o desempenho de 2023. Com isso, o país permaneceu, pelo terceiro ano consecutivo, na 30ª posição entre os maiores exportadores mundiais do setor.

Na produção industrial, houve uma redução marginal de 0,01 ponto percentual na participação brasileira, que ainda assim alcançou 1,17% do total mundial. O percentual foi suficiente para manter o Brasil na 15ª colocação entre os maiores produtores da indústria de transformação, segundo dados da Unido.

Para a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, os números refletem a capacidade de resistência do setor. “O crescimento das exportações em 2024 ocorreu apesar da queda dos preços internacionais, o que indica um avanço relevante do volume exportado. No entanto, isso não se traduziu em mudança relativa de posição no ranking dos principais produtores e exportadores da indústria de transformação”, avalia.

Produção cresce, mas tendência de longo prazo pressiona participação

O estudo mostra que o valor da produção da indústria de transformação brasileira cresceu 2,3% em 2024, impulsionado pela recuperação da demanda doméstica e pela aceleração da atividade industrial ao longo do ano. Ainda assim, a participação do país no total mundial segue pressionada por uma tendência estrutural de perda relativa observada desde a década de 1990.

Esse movimento reflete fatores como a maior concorrência internacional, mudanças nas cadeias globais de valor e desafios históricos de competitividade da indústria brasileira, que limitam ganhos mais expressivos de participação no cenário global.

Comércio exterior reage e supera média mundial

O desempenho foi mais favorável no comércio exterior. As exportações brasileiras de bens da indústria de transformação cresceram 2,7% em 2024, revertendo a queda registrada no ano anterior e superando a expansão das exportações mundiais do setor, que avançaram 2,1%.

O resultado foi sustentado pela melhora do ciclo econômico global, com desaceleração da inflação e menor grau de restrição monetária em diversas economias, o que estimulou a demanda externa por bens industriais. Para a CNI, o dado reforça a importância do ambiente macroeconômico internacional para o desempenho exportador brasileiro.

“A agenda de competitividade e de inserção estratégica para a indústria continua sendo crucial para aprimorar a participação brasileira no comércio internacional, tanto na produção quanto nas exportações”, afirma Constanza Negri.

Participação estável em comparação internacional

Na comparação com 11 parceiros comerciais selecionados, o Brasil foi uma das poucas economias que conseguiram manter participação estável nas exportações mundiais da indústria de transformação, ao lado dos Estados Unidos. O desempenho contrasta com o de países como Alemanha, Japão e Espanha, que registraram perda de participação no período analisado.

No cenário global, a China manteve a liderança e ampliou sua fatia tanto nas exportações quanto na produção industrial. Em 2024, o país asiático respondeu por 17,4% das exportações globais da indústria de transformação, mais do que o dobro da participação dos Estados Unidos, que ficaram em segundo lugar, com 7,9%, evidenciando a elevada concentração do comércio industrial mundial.