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Política

Governo Trump fala em ‘perseguição’ contra Eduardo Bolsonaro

Departamento de Estado dos EUA classificou decisão do STF como exemplo de “lawfare” e afirmou que disputas políticas devem ser resolvidas nas urnas.
Por O Correio de Hoje
19/06/2026 | 14:40

O governo dos Estados Unidos voltou a se manifestar sobre o processo envolvendo o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e criticou a condenação imposta pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em posicionamento divulgado pelo Departamento de Estado e publicado inicialmente pela agência Reuters, a administração do presidente Donald Trump classificou o caso como mais um episódio de perseguição política promovida pelo sistema judicial brasileiro.

Segundo a manifestação encaminhada por um porta-voz da pasta à reportagem, “este é o mais recente episódio de um padrão de perseguição e de uso político do sistema judicial (‘lawfare’) pelos tribunais brasileiros contra seus opositores políticos”.

Eduardo Bolsonaro foto Vinicius Loures Câmara dos Deputados
Ex-deputado foi condenado por coação no curso do processo por ação nos EUA - Foto: Vinicius Loures / Câmara

A declaração foi divulgada dois dias após a Primeira Turma do STF condenar, por unanimidade, Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo, em razão de sua atuação nos Estados Unidos com o objetivo de intimidar o Judiciário brasileiro e influenciar o andamento das investigações relacionadas à tentativa de golpe de Estado.

O Departamento de Estado também afirmou que conflitos políticos devem ser solucionados por meio do voto popular, e não por decisões judiciais.

“Debates políticos devem ser resolvidos por meio de eleições democráticas, e não por condenações”, declarou o porta-voz da pasta.

Pela decisão do Supremo, Eduardo Bolsonaro foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto, além do pagamento de multa de R$ 150 mil. A sentença ainda prevê a perda do cargo de escrivão da Polícia Federal, do qual está atualmente afastado, e torna o ex-parlamentar inelegível por oito anos, enquadrando-o nas regras da Lei da Ficha Limpa.

Esta foi a segunda manifestação pública do governo Trump em defesa do ex-deputado. Na quarta-feira 17, durante entrevista concedida a jornalistas à margem da reunião do G7, o presidente norte-americano comentou o episódio, embora tenha confundido informações sobre integrantes da família Bolsonaro.

Ao abordar o assunto, Trump declarou que havia tomado conhecimento de que “prenderam hoje alguém que está concorrendo a um cargo público. Fiquei sabendo disso depois que saímos. Eu tinha acabado de me despedir dele [Lula] e ouvi dizer que prenderam o Bolsonaro Jr.”

Em seguida, acrescentou: “Ele estava indo bem nas pesquisas e o prenderam porque fez uma declaração no Texas. Prenderam-no, ou querem prendê-lo, para ter alguma coisa contra ele.”