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Investimento

Governo aposta em obras de segurança hídrica para reverter prejuízo causado pela seca no RN

RN teve prejuízo de R$ 9 bilhões em 10 anos por causa da seca
Redação
12/11/2025 | 05:00

O Governo do Rio Grande do Norte aponta na conclusão de obras de segurança hídrica para reverter os prejuízos causados pela seca no Estado. De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), “inúmeras estruturas de abastecimento estão em andamento” para garantir que a população tenha mais acesso à água para abastecimento e produção.

Entre os investimentos, o governo cita o Complexo Hidrossocial Barragem de Oiticica, em Jucurutu. A estrutura, inaugurada após 12 anos de construção com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em março, vai beneficiar cerca de 300 mil pessoas em 22 municípios da região do Seridó.

GoveRio Grande do Norteo aposta em obras de segurança hídrica para reverter prejuízo causado pela seca no RN
Oiticica (foto) é o 2º maior reservatório do RN, atrás da Armando Ribeiro Gonçalves - Foto: Yasmin Fonseca / MIDR

Além disso, na semana passada, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e a governadora Fátima Bezerra (PT) assinaram em Natal a ordem de serviço que autoriza o início das obras da Adutora do Agreste Potiguar. Com extensão de 171 km e vazão de 890 litros por segundo, o empreendimento beneficia mais de 500 mil pessoas em 38 municípios do semiárido potiguar. O investimento é de R$ 448,5 milhões, dentro da carteira do Novo PAC.

A Semarh cita também a “recuperação de 28 barragens em várias regiões do Estado” e a chegada ao Rio Grande do Norte das águas do Projeto de Integração do rio São Francisco (Pisf), a partir na Bacia Hidrográfica dos rios Piancó-Piranhas-Açu. Com isso, segundo a pasta, será consolidada “a segurança hídrica para o abastecimento humano e produtivo da região do Seridó.”

Levantamento da CNM

Levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM) publicado pelo AGORA RN nesta terça-feira 11 mostrou que fenômenos climáticos extremos, como seca prolongada, chuvas intensas e deslizamentos, causaram um prejuízo financeiro de mais de R$ 9 bilhões no Rio Grande do Norte entre 2013 e 2024. Desse valor, R$ 4,8 bilhões foram de prejuízos públicos, outros R$ 4,2 bilhões se referem a prejuízos privados e R$ 66 milhões foi a soma de prejuízos habitacionais.

Em todo o País, o estudo indica que o prejuízo financeiro foi de R$ 732,2 bilhões. A Secretaria aponta que “os dados impressionam”, citando que os prejuízos decorrentes de chuvas chegam a R$ 81,5 bilhões, mas aqueles decorrentes de seca/estiagem alcançam R$ 209,4 bilhões na região Nordeste.

No Rio Grande do Norte, o estudo indica que, de 2013 a 2024, gestores públicos publicaram 4.534 decretos de anormalidade por desastres naturais. A média foi de 27 decretos por município ao longo do período – proporcionalmente, é o 2º maior número de decretos do País, atrás somente de Mato Grosso do Sul, com 31 decretos por cada município.

Desse total, quase 70% foram decretos para reconhecimento de situação de emergência em decorrência de seca ou estiagem, o equivalente a 3.095 decretos. É o 3º maior número do País, atrás apenas de Paraíba (4.508 decretos) e Bahia (4.016).

Fátima na COP30

A governadora Fátima Bezerra (PT) participou nesta terça-feira, na Zona Azul da COP30, em Belém, do painel “Recaatingamento e Bioeconomia do Semiárido: Sustentabilidade, Inovação e Justiça Territorial”, consolidando a metodologia do recaatingamento como um projeto civilizatório e um caminho essencial para a solução climática do Brasil. O painel, que reuniu governadores nordestinos, abordou políticas para o avanço da recuperação de áreas degradadas no semiárido, buscando promover tecnologias de convivência e fortalecer cadeias de valor sustentáveis.

O recaatingamento surge como uma metodologia de convivência com o semiárido que foca na recuperação de áreas degradadas, integrando a conservação da biodiversidade da caatinga com a participação ativa das comunidades, a fim de mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

A caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e cobre cerca de 53,5% do território do Nordeste, estando presente em 90% do território potiguar. É reconhecida, especialmente, por sua biodiversidade singular e sua capacidade de regeneração.

Durante o debate, a governadora destacou as ações concretas do Rio Grande do Norte na agenda da sustentabilidade. O RN se tornou o primeiro estado do Brasil a regulamentar o Fundo Estadual de Combate à Desertificação, um marco essencial para garantir recursos e governança na recuperação de áreas degradadas, investimento em tecnologias sociais e fortalecimento da convivência com o semiárido. Os recursos desse Fundo serão utilizados em estudos, recuperação de áreas degradadas e desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, além de apoiar a educação ambiental e capacitação técnica.

“Sabemos que o desafio é grande. Envolve articular programas estaduais e federais, atrair investimentos públicos e privados, e consolidar uma política regional de sustentabilidade. Mas o Nordeste tem mostrado que sabe se unir para construir soluções”, destaca Fátima Bezerra.

Um dos mecanismos estratégicos em discussão é o Fundo Caatinga, proposto pelo Consórcio Nordeste em 2023, inspirado no Fundo Amazônia. A proposta visa captar recursos para financiar ações de combate à desertificação e desmatamento, com a gestão a cargo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).