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Estratégias

Governo e setor pesqueiro discutem medidas para enfrentar avanço da ciguatera no Estado

Preocupação envolve tanto os impactos na saúde pública quanto os prejuízos econômicos
Redação
21/07/2026 | 05:29

Representantes do Governo do Rio Grande do Norte, instituições ligadas à pesca e colônias de pescadores se reuniram para discutir medidas de enfrentamento à ciguatera, intoxicação alimentar associada ao consumo de determinadas espécies de peixes. A preocupação envolve tanto os impactos na saúde pública quanto os prejuízos econômicos para a cadeia produtiva da pesca, especialmente para os pescadores artesanais.

Segundo a subsecretária de Pesca e Aquicultura do Estado, Erilânia Marreiro, a Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape) acompanha a evolução dos casos desde os primeiros registros.

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Subsecretária Erilânia Marreiro - Foto: Reprodução / TV Tropical

“Os primeiros casos surgiram ainda em 2022 e têm se acentuado a partir de 2025. Nós, preocupados não só com a saúde pública, que é um tema extremamente relevante, mas também com a economia, com essas pessoas que estão na ponta ali, que são da pesca artesanal, estamos buscando, através desse diálogo com as instituições, buscar soluções para mitigar esses problemas relacionados à ciguatera, mas também entender de onde vem o que está gerando tudo isso”, afirmou.

A reunião ocorreu após o aumento das notificações relacionadas à doença e da ampliação do número de espécies apontadas em alerta emitido pela Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap). O objetivo é reunir diferentes órgãos para discutir medidas de prevenção, monitoramento e possíveis estratégias de enfrentamento.

Durante a reunião, também foi debatida a possibilidade de adoção de medidas semelhantes ao período de defeso aplicado à pesca da lagosta. A subsecretária explicou, no entanto, que ainda não há definição sobre essa possibilidade.

“Tudo ainda é muito recente. A ciguatera tem se estabelecido em duas regiões do Nordeste do Brasil, que é a ilha de Fernando de Noronha e aqui no Rio Grande do Norte. Então, como forma de articulação, a gente tem proposto a criação de um comitê entre as instituições envolvidas, que estão, inclusive, participando dessa reunião, para que a gente possa, a partir disso, começar esses diálogos.”

Ela acrescentou que a adoção de um eventual defeso depende de estudos e de articulação com outras esferas de governo. “Mas, como é tudo muito recente, a gente não pode garantir a criação de defesos, que envolvem, inclusive, o governo federal. E a gente, a partir dessas articulações, vai começar a analisar como isso será possível.”

Além das preocupações com a saúde, o encontro também discutiu os impactos econômicos provocados pela redução no consumo de pescado. “Os prejuízos relatados pelos pescadores são grandes, inclusive para a pesca artesanal, que é uma atividade mais sensível. O consumo de pescado tem caído bastante e a gente, preocupado com toda essa situação, tem buscado esse diálogo para tentar mitigar os problemas relacionados à economia.”

Apesar da queda nas vendas, a subsecretária reforçou que o pescado continua sendo um alimento seguro quando adquirido em estabelecimentos que seguem as normas sanitárias. “Eu já ressalto a importância para a população entender que ainda o pescado é uma fonte segura, é uma das principais fontes de proteína para a população e que é necessário buscar, na verdade, peixarias que sejam seguras, que tenham cuidado com as questões sanitárias, mas que o consumo de pescado ainda é uma fonte de proteína importante para o consumo humano.”

De acordo com o Governo do Estado, a proposta em discussão é criar um comitê reunindo as instituições envolvidas para ampliar o monitoramento da doença, discutir medidas de prevenção e avaliar alternativas para reduzir os impactos sobre a saúde da população e sobre a atividade pesqueira no Rio Grande do Norte.