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Estimativa

Galípolo vê Brasil mais protegido de choque do petróleo, mas prevê uma inflação maior

Avaliação foi feita durante participação no evento J. Safra Macro Day, em São Paulo
Redação
30/03/2026 | 22:08

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira 30, que o País está em posição relativamente mais favorável do que outras economias para enfrentar a volatilidade do preço do petróleo, impulsionada pela guerra no Oriente Médio. A avaliação foi feita durante participação no evento J. Safra Macro Day, em São Paulo.

Segundo Galípolo, dois fatores sustentam essa resiliência: a condição de exportador líquido de petróleo e a política monetária contracionista adotada pelo banco central. Com a taxa Selic em 14,75% ao ano, o Brasil mantém juros acima do nível considerado neutro em outras economias, o que amplia a capacidade de reação a choques externos. “Quando comparo com seus pares, o Brasil parece estar numa posição relativamente mais favorável”, disse.

Galípolo
Galípolo prevê um crescimento menor do País este ano e inflação maior - Foto: Lula Marques /Agência Brasil

O presidente da autoridade monetária afirmou que o patamar elevado dos juros gerou uma “gordura” que permite iniciar um processo gradual de ajuste da política monetária mesmo diante de incertezas externas. Segundo ele, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por manter a trajetória de calibragem sem mudanças abruptas. “Essa gordura permitiu ganhar tempo para ver, entender e aprender mais”, afirmou, ao destacar que o País deve agir com cautela, como “um transatlântico, e não um jet ski”.

Apesar da avaliação positiva sobre a posição relativa do Brasil, Galípolo alertou para os efeitos macroeconômicos do choque de oferta no petróleo. Para ele, a alta dos preços tende a pressionar a inflação e reduzir o ritmo de crescimento econômico em 2026. “Temos uma visão de que provavelmente é inflação para cima e crescimento para baixo”, afirmou, ao diferenciar o atual cenário de episódios anteriores, quando a alta do petróleo estava associada ao aumento da demanda global e podia impulsionar o Produto Interno Bruto.