O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira 8 que a França votará contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Segundo ele, a posição será apresentada na reunião dos embaixadores do bloco europeu marcada para sexta-feira 9 e já foi comunicada à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A declaração consolida a França como o principal foco de resistência ao avanço do tratado. Além do país, Irlanda, Hungria e Polônia também se posicionam contra o acordo. Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores e envolve setores além do agronegócio, incluindo diferentes segmentos da indústria brasileira.

Macron voltou a afirmar a posição contrária no mesmo dia em que agricultores bloquearam estradas de acesso a Paris e pontos turísticos como o Arco do Triunfo. Os protestos foram convocados pelo sindicato de direita Coordination Rurale, em meio ao temor de que o acordo de livre comércio inunde a União Europeia com importações de alimentos mais baratos.
Nas redes sociais, o presidente francês declarou que a França votaria contra a assinatura do acordo, apesar de ter obtido “compromissos importantes” da Comissão Europeia. “A assinatura do acordo não é o fim da história. Continuarei a lutar pela plena implementação dos compromissos obtidos junto da Comissão Europeia e para proteger os nossos agricultores”, disse.
La France a décidé de voter contre la signature de l’accord entre l’Union européenne et les pays du Mercosur.
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) January 8, 2026
A Irlanda também anunciou que votará contra o acordo, segundo o vice-primeiro-ministro Simon Harris. Ainda assim, com a sinalização de apoio da Itália, cresce a possibilidade de aprovação do tratado na votação prevista para sexta-feira. O acordo é apoiado por países como Alemanha e Espanha.
O tema ocorre em um contexto político sensível para o governo francês, com eleições municipais previstas para março e a extrema-direita em ascensão nas sondagens, antes da eleição que escolherá o sucessor de Macron em 2027. A ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que, mesmo com eventual apoio da UE, o país continuará se opondo ao acordo no Parlamento Europeu, cuja aprovação também será necessária.
Nesta semana, a Comissão Europeia propôs liberar antecipadamente 45 mil milhões de euros em fundos da UE para agricultores no próximo orçamento de sete anos e reduzir taxas de importação de alguns fertilizantes, em uma tentativa de angariar apoio entre países indecisos. Ainda assim, agricultores romperam postos de controle policial e entraram em Paris.
Durante os atos, tratores bloquearam vias como a A13, que liga Paris aos subúrbios do oeste e à Normandia, provocando cerca de 150 km de congestionamento, segundo o ministro dos Transportes. Manifestantes também protestaram contra altos custos e regulamentações locais.
Mais tarde, agricultores da FNSEA e sindicatos de jovens agricultores realizaram uma manifestação na Torre Eiffel. “Vamos importar produtos do resto do mundo que não atendem aos nossos padrões – isso não é possível, é inaceitável. Por isso, vamos continuar mobilizados, vamos seguir em frente”, afirmou Arnaud Rousseau, presidente da FNSEA. O ministro do Interior, Laurent Núñez, informou que novos protestos estão previstos para sexta-feira em várias regiões do país.