A campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) promoveu, nesta quinta-feira, 30, uma nova mudança em sua equipe de comunicação, a segunda em pouco mais de dois meses. O publicitário Duda Lima, responsável pela propaganda de Jair Bolsonaro em 2022, substituirá o jornalista Alexandre Oltramari e o publicitário Eduardo Fischer no comando da área.
A alteração foi anunciada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha. Duda Lima é considerado um dos profissionais de marketing mais próximos do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.

Em nota, Marinho agradeceu aos integrantes que deixaram a equipe. “A campanha de Flávio Bolsonaro agradece e reconhece o excepcional trabalho desempenhado por Alexandre Oltramari e Eduardo Fischer. Suas contribuições foram importantíssimas e valiosas nessa etapa e marcaram um momento estratégico desta caminhada. (…) Informamos que o publicitário Duda Lima foi convidado para comandar a área de comunicação da campanha”, afirmou.
Oltramari e Fischer haviam assumido as funções no fim de maio, durante a crise provocada pelas revelações sobre as negociações entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro para o financiamento do filme “Dark Horse”. Na ocasião, a dupla substituiu o marqueteiro Marcello Lopes, conhecido como “Marcellão”.
A relação dos dois profissionais com integrantes da campanha, entretanto, vinha acumulando desgaste. Segundo interlocutores, Oltramari e Fischer decidiram sair depois de se sentirem desautorizados em diferentes ocasiões e concluírem que suas orientações eram frequentemente ignoradas ou revistas por outros membros da equipe.
Pessoas próximas à dupla relatam que as interferências dificultavam a execução da estratégia de comunicação planejada. A ausência de autonomia teria contribuído para a decisão de ambos de deixar a campanha.
A troca, por outro lado, foi recebida com alívio por dirigentes do PL e auxiliares de Flávio. Havia insatisfação com a reação da equipe às crises relacionadas a Michelle Bolsonaro e Daniel Vorcaro, considerada lenta por integrantes da coordenação.
Aliados também avaliavam que o núcleo de comunicação não conseguia converter acontecimentos considerados favoráveis em ganhos políticos para o candidato. Nos bastidores, a percepção era de que as principais iniciativas adotadas nas últimas semanas haviam partido de outros setores da campanha.
Dirigentes do partido ainda reclamavam, reservadamente, da dificuldade de acesso a Oltramari e Fischer. Integrantes da cúpula do PL e pessoas próximas à família Bolsonaro afirmavam encontrar obstáculos para conversar com os dois profissionais e apresentar sugestões.
Outra crítica dizia respeito à construção da imagem do candidato. Auxiliares consideravam que a campanha ainda não havia definido um discurso claro para Flávio nem aprimorado sua presença nos eventos. Na avaliação desse grupo, o senador alternava assuntos sem uma narrativa central e deixava de explorar politicamente agendas vistas como positivas.
A produção de vídeos para as redes sociais também teria concentrado excessivamente o trabalho da dupla, enquanto outras frentes recebiam menos atenção. Entre elas estavam a preparação de Flávio para entrevistas e o desempenho do candidato em atos públicos.
Como exemplo, integrantes da campanha citam um encontro de Flávio com eleitoras. Embora o evento tenha reunido várias mulheres, a equipe não teria conseguido aproveitar a agenda para produzir uma “onda positiva” em torno da candidatura.