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Música

Artane lança “Saudade é Tanta” e transforma sotaque potiguar em identidade musical

Cantora potiguar combina forró, poesia e memória afetiva em música lançada nesta sexta-feira 31
Redação
31/07/2026 | 14:57

A cantora e compositora potiguar Artane lançou nesta sexta-feira 31 o single “Saudade é Tanta”, uma música que reúne referências do forró nordestino, poesia e elementos da memória afetiva da artista. A canção nasceu da relação da cantora com a distância entre Natal e Belo Horizonte, cidade onde mora há cerca de 14 anos, e traduz um sentimento que, segundo ela, acompanha sua trajetória.

Em entrevista ao Podcast Central Agora RN, Artane contou que a saudade é uma presença constante em sua vida, tanto quando está no Rio Grande do Norte quanto quando está em Minas Gerais. “Quando eu tô em Natal, eu sinto saudade de alguém que tá lá em BH, porque eu tô lá há muitos anos, construí uma vida lá, tenho amigos. E quando eu tô lá, eu tenho saudade de quem tá aqui. Então, eu tô sempre com saudade de alguém”, afirmou.

Nova música de Artane reúne influências do forró nordestino, poesia e memórias da vida entre Natal e Belo Horizonte.
Cantora potiguar Artane lançou o single “Saudade é Tanta” nesta sexta-feira 31 Foto: Reprodução/Agora TV

O novo trabalho também marca a valorização da identidade nordestina da artista, que mantém o sotaque potiguar mesmo após anos vivendo fora do Estado. Para Artane, a forma de falar e as referências culturais fazem parte da construção da sua música e aproximam o público da sua história.

“Embora eu esteja morando em Belo Horizonte há cerca de 14 anos, ele nunca se perdeu. É uma coisa que eu sempre fiz muito, a questão de preservar”, disse a cantora, ao comentar sobre o sotaque. Segundo ela, reconhecer as próprias origens é uma forma de ocupar espaço na cultura brasileira.

A música tem influências de grandes nomes da música brasileira, especialmente artistas nordestinos que fizeram parte da formação musical da cantora, como Luiz Gonzaga e Dominguinhos. Artane explicou que “Saudade é Tanta” traz uma referência à maneira como o Nordeste transforma sentimentos em poesia, citando a abordagem da saudade presente nas obras de Luiz Gonzaga.

“Luiz Gonzaga, inclusive, ‘Saudade é Tanta’, ela tem uma referência na saudade amarga, que nem ‘Xote das Meninas’, do Luiz Gonzaga, aquela coisa da saudade que dói”, afirmou.

A cantora também destacou a influência de artistas como Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Djavan, Caetano Veloso e Gilberto Gil na sua formação. Para ela, essas referências ajudam a construir uma música que dialoga com diferentes estilos, mas mantém elementos da cultura nordestina.

Música nasceu da poesia

Artane revelou que sua relação com a música começou a partir da poesia. O caminho artístico começou quando levou o filho Rafael, hoje com 10 anos, para aulas de musicalização. Ela acabou fazendo aulas de violão e conheceu o professor Aleilário, que percebeu potencial em seus poemas e começou a criar melodias para os textos.

Segundo a cantora, a transformação dos poemas em músicas foi um momento marcante. Ela contou que recebeu uma gravação da primeira composição, “Tatuagem”, em um período difícil da vida, e que ouvir sua poesia ganhar melodia mudou seu estado emocional.

“Eu tava meio que chorando de tristeza e, de repente, eu tava chorando de alegria. Foi uma emoção que eu não consigo nem narrar”, relatou.

Clipe aposta em linguagem diferente

Para acompanhar o lançamento, Artane produziu um clipe que também buscou fugir de formatos tradicionais ligados ao forró. Em vez de apostar em cenas com dançarinos ou apresentações, a cantora escolheu uma proposta mais conceitual, com participação da professora de pole dance Babi Boi.

Segundo Artane, a ideia era criar uma estética diferente para a música. “Eu queria sair do lugar comum. A primeira coisa que você pensa é: vou botar uma galera dançando forró, uns dançarinos. Mas todo mundo já fez. Não tem nada de novo pra eu fazer mais aqui”, explicou.

A cantora afirmou que o objetivo foi unir a música com uma linguagem visual própria, mantendo a emoção da canção sem seguir necessariamente os padrões esperados para o gênero.

Identidade como escolha artística

Para Artane, manter o sotaque e as referências nordestinas não é apenas uma lembrança das origens, mas uma escolha artística. A cantora afirma que existe beleza na forma de falar e nas características culturais da região.

“É um orgulho que vem de enxergar a beleza mesmo. Eu, como poeta, acho que a poesia nasce porque a gente vê beleza em todas as coisas. Então, tudo se transforma em beleza, em poesia”, declarou.

Com “Saudade é Tanta”, Artane apresenta uma música que conecta a experiência pessoal de viver longe da terra natal com uma identidade cultural construída a partir do sotaque, das referências nordestinas e da memória afetiva.