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Política

Flávio Bolsonaro critica decisão de Moraes sobre prisão domiciliar do ex-presidente

Senador chama medida de “exótica” e questiona prazo de 90 dias para recuperação de broncopneumonia
Redação
24/03/2026 | 18:22

O senador Flávio Bolsonaro classificou como “exótica” e “contraditória” a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a prisão domiciliar por 90 dias ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi dada à GloboNews nesta terça-feira 24.

Segundo o parlamentar, a medida representa um “primeiro passo para fazer Justiça”, mas ele questionou o formato da decisão. “É uma decisão exótica porque traz mais uma inovação: uma prisão domiciliar humanitária provisória. Isso não existe na legislação e é um pouco contraditório”, afirmou o senador.

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Flávio Bolsonaro critica decisão de Moraes sobre prisão domiciliar do ex-presidente - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Flávio Bolsonaro também criticou as condições em que o ex-presidente permaneceu detido anteriormente na Superintendência da Polícia Federal, entre 22 de novembro de 2025 e 15 de janeiro, antes de ser transferido para a Papudinha. Ele classificou o período como “completamente inadequado” para a saúde de Bolsonaro.

“Ele ficava em uma sala de 3 por 4, trancado 22 horas por dia. Tinha direito a duas horas para caminhar em um espaço muito pequeno, cercado de muros brancos. Não tinha uma planta, uma flor para ele poder olhar, algo diferente”, afirmou o senador.

O senador também mencionou o ambiente no local de detenção. Segundo ele, havia incômodo constante com o barulho do ar-condicionado central, descrito como um “zumbido infernal o dia inteiro”.

Ao comentar o prazo de 90 dias estabelecido para a prisão domiciliar, Flávio Bolsonaro questionou a lógica da decisão. “Se a saúde dele melhorar em casa, ele volta para o lugar onde a saúde dele estava piorando?”, questionou.

Sobre o acompanhamento do ex-presidente durante o período em casa, o senador afirmou que haverá medidas por parte da família. De acordo com ele, Michelle Bolsonaro deverá permanecer ao lado do marido, além da possibilidade de apoio profissional.

“Acredito que ele terá ali uma assistência de enfermagem ou médica. Isso terá que ser uma providência tomada pela família para evitar quadros de desequilíbrio ou quedas”, disse.

A decisão de Moraes autoriza que Jair Bolsonaro cumpra pena em prisão domiciliar por 90 dias para tratamento de broncopneumonia. Após esse período, a situação será reavaliada para definir se ele permanecerá ou não no regime domiciliar.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Até ser internado, havia cumprido 119 dias de prisão, o que corresponde a menos de 1% da pena.

Além da prisão domiciliar, a decisão estabelece o uso de tornozeleira eletrônica e proíbe o ex-presidente de utilizar smartphones, celulares, telefones ou outros meios de comunicação, mesmo por terceiros. Também está impedido de acessar redes sociais e de gravar vídeos ou áudios.

O ex-presidente estava detido na Papudinha, em Brasília, e deixou a unidade prisional no dia 13 de março após apresentar um quadro de broncopneumonia e precisar ser internado.