Há histórias que resistem ao tempo não apenas pelos fatos que registram, mas pelas perguntas que permanecem abertas. “A Conspiração Condor”, novo longa dirigido por André Sturm, parte justamente desse terreno — o das incertezas — para reconstruir um momento delicado da história brasileira.
O filme estreia nesta quinta-feira 9 em uma ampla lista de cidades, incluindo Natal, São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Teresina, Maceió, Goiânia, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis, além de Santos e Ribeirão Preto, em São Paulo, e Petrópolis e Niterói, no Rio de Janeiro.

Ambientado na década de 1970, durante o regime militar, o longa se desenvolve como um suspense político centrado nas circunstâncias das mortes de Juscelino Kubitschek e João Goulart. Ambos morreram no mesmo ano, em situações que, ao longo das décadas, suscitaram questionamentos. JK foi vítima de um acidente de automóvel. Jango morreu após um infarto, logo depois de retornar de Paris, onde havia passado por exames médicos.
No centro da narrativa está Silvana, jornalista interpretada por Mel Lisboa. É a partir de suas dúvidas que a história ganha forma. Ao desconfiar das versões oficiais, ela inicia uma investigação que gradualmente revela conexões mais amplas, envolvendo interesses que extrapolam o campo individual.
A jornada não é solitária. Silvana conta com o apoio do jornalista argentino Juan, vivido por Dan Stulbach, e com a colaboração de Marcela, personagem de Maria Manoella. Juntos, eles percorrem um cenário marcado por tensões políticas e riscos pessoais, onde cada informação obtida parece abrir novas camadas de complexidade.
Ao longo do percurso, a investigação cruza com figuras históricas. Entre elas, Carlos Lacerda, interpretado por Pedro Bial, cuja presença remete à tentativa de articulação da Frente Ampla — movimento que buscava reunir lideranças políticas em oposição ao regime militar, mas que não avançou.
O roteiro, assinado por Sturm em parceria com Victor Bonini, se apoia nesse entrelaçamento entre fatos históricos e construção dramática. O resultado é um thriller que não apenas revisita eventos conhecidos, mas os reorganiza sob a perspectiva da dúvida e da investigação.
O elenco reúne ainda nomes como Nilton Bicudo, Marat Descartes, Zé Carlos Machado, Carlos Meceni, Luciano Chirolli, Lavínia Pannunzio, Rosana Maris, Fernando Nitsch e Jerusa Franco. A produção é de Liz Reis e Beatriz Reis, da LEP Filmes.
Mais do que oferecer respostas definitivas, “A Conspiração Condor” se insere em uma tradição de obras que exploram os espaços deixados pelas versões oficiais. Ao fazer isso, o filme propõe uma experiência que combina tensão narrativa e reconstrução histórica, conduzindo o espectador por um período em que política, informação e poder se entrelaçam de maneira particularmente intensa.
Sinopse
Brasil, 1976. Quem matou Juscelino Kubitschek? Quem matou João Goulart? Diante da morte misteriosa de dois ex-presidentes no mesmo ano, a jornalista Silvana decide investigar colocando em risco a sua própria segurança.