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Transporte de cabotagem

Fiern e Codern discutem retomada da cabotagem no Porto de Natal

Avanço de obras estruturantes abre espaço para reativação do modal marítimo e ampliação da logística industrial no RN
Redação
05/02/2026 | 19:31

As oportunidades para o transporte de cabotagem no Porto de Natal estiveram no centro de uma reunião entre a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern) e a Companhia Docas do RN (Codern), realizada na tarde desta quinta-feira (5), na sede da autoridade portuária. O encontro teve como foco a apresentação de dados sobre o potencial logístico do estado e a avaliação do andamento de projetos considerados estratégicos para a retomada do uso do modal marítimo pela indústria potiguar.

O presidente da Fiern, Roberto Serquiz, foi recebido pelo diretor-presidente da Codern, Paulo Macedo, em uma agenda que reforça a articulação institucional em torno da reativação do tradicional Porto de Natal como alternativa para o escoamento da produção local.

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Diretorias da Fiern e Codern durante reunião - Foto: Reprodução

Obras estruturantes destravam logística

Segundo Serquiz, a reunião serviu para atualizar as perspectivas em relação às obras estruturantes em curso ou planejadas para o Porto de Natal, com destaque para a dragagem do Rio Potengi e a construção das defensas da Ponte Newton Navarro. “Essa é uma demanda da indústria potiguar para que a produção do estado possa ser escoada pelo modal marítimo”, afirmou.

Na avaliação do dirigente, o avanço dessas intervenções cria condições para que outras frentes sejam tratadas de forma integrada. Entre elas, estão a organização da retroárea portuária e a melhoria do fluxo logístico e dos acessos urbanos. “Isso já nos motiva para irmos além, para que até o final do ano possamos seguir com esse trabalho de informação, sobretudo com informações para realmente reativarmos o tradicional Porto de Natal”, completou.

Demanda reprimida por cabotagem

A Fiern avalia que existe demanda concreta para operações regulares de cabotagem no estado. O diretor 2º secretário da federação e presidente do Sindirecicla-RN, Etelvino Patrício, destacou que há interesse tanto de fornecedores e distribuidores de outras regiões do país quanto de produtores locais. “Há projetos para transportar diversos produtos, assim como temos uma demanda dos produtores do RN para levar seus produtos a outros estados, mas isso não ocorre porque não há operação de cabotagem no Porto de Natal”, ressaltou.

O diretor 1º tesoureiro da Fiern e presidente do Cluster Tecnológico Naval do RN, Djalma Júnior, reforçou que o tema dialoga diretamente com a agenda do setor naval. “O Cluster tem total sinergia com esse assunto. Vamos levar essa pauta para as reuniões para debatermos junto às empresas e instituições associadas”, afirmou.

Parceria institucional e posição estratégica

Para o diretor-presidente da Codern, Paulo Macedo, a discussão sobre cabotagem no RN é resultado de um esforço contínuo da Fiern. “Acompanhamos há bastante tempo o trabalho e o esforço da Fiern para apontar a viabilidade do modal marítimo como uma alternativa para o desenvolvimento do estado. Temos sido parceiros nessa atuação”, disse.

Durante a reunião, a coordenadora executiva de Relações Institucionais e com o Mercado da Fiern, Ana Adalgisa Dias, apresentou um estudo sobre os caminhos para a evolução da cabotagem no estado. Segundo ela, o Rio Grande do Norte possui uma posição geográfica estratégica no litoral brasileiro. “Podemos ligar o Amazonas ao Rio Grande do Sul, com apoio e transporte marítimo a diversos setores produtivos, mas ainda não temos essa operação de cabotagem”, afirmou.

Também participaram do encontro o diretor técnico da Codern, Paulo Sidney, e o gerente de Operações da companhia, Rodolfo Gois.