Lançado no Brasil em três versões, duas com motor diesel e uma elétrica, o Fiat Scudo vem montado do Uruguai e tem muito pouco de Fiat. Isso porque é exatamente o mesmo modelo que o Citroën Jumpy ou o Peugeot Expert, apenas com novo nome e logotipos da marca italiana pela carroceria e também no volante. Como pertencem ao mesmo grupo (Stellantis), as marcas dividem entre si alguns modelos. O principal trunfo dele é a altura: com 1,94m, entra em grande parte dos estacionamentos que outras vans comerciais não entram, como em alguns shoppings, por exemplo. Mas o modelo vai bem além disso.
Primeiro, vale a pena ressaltar a característica do modelo: com capacidade para levar 6.100 litros (6,1 m³), o modelo se posiciona bem na linha da Fiat. Bem acima da Fiorino, que leva 3.100 litros e bem e abaixo do Ducato cargo, com capacidade de 10 mil litros. As vantagens em relação ao Fiorino vão além da capacidade: a porta lateral de correr pode ser uma boa para lugares menores, em que a abertura das portas traseiras vá atrapalhar. Isso sem contar o motor a diesel que nós vamos falar daqui a pouco mais. Em comparação ao Ducato, a vantagem está mesmo no porte: no comprimento, 11 cm os separam. Mas na altura, são 31 centímetros. Em lugares com pé direito baixo, isso realmente faz a diferença a favor do Scudo.

À bordo do modelo, você se dá conta de estar em um veículo comercial logo de cara. Um tanto pela posição de dirigir, bem alta e também pelos bancos que cabem três pessoas. O passageiro do meio, aliás, vai sofrer um pouco, porque a alavanca do câmbio vai em direção ao assento. Os mais altos vão reclamar de um menor espaço para as pernas. Algo peculiar é o acionamento do freio de mão, por uma alavanca longa, entre os dois assentos.
Dirigir o Scudo foi uma experiência um tanto surpreendente. Tanto pela disposição do motor 1.5 Turbodiesel, de 30,5 kgfm de torque e 120 cv. O torque, aliás, está disponível desde cedo e leva o furgão com bastante vigor. Os pedais tem aquela posição um tanto diferente, parecem paralelas ao assoalho – que é todo revestido. As trocas de marchas são suaves, com curso curto e bastante preciso. O pedal do freio é extremamente sensível e já age no menor pisão. Requer um pouco de costume.
Difícil é manobrar o modelo, já que não se tem visibilidade traseira e ele não conta nem com câmera de ré, nem com sensores de estacionamento. Mas pode acreditar: o furgão é tão gostoso de dirigir que chega a soar divertido. E de quebra tem itens como direção eletro-hidráulica e ar-condicionado, que elevam bastante o conforto do dia a dia.
Mas, no geral, o modelo é surpreendentemente confortável. A suspensão é bem acertada e o carro roda de forma suave. O isolamento acústico é bom e isola bem os barulhos vindos de fora, a não ser os pneus. Eles, aliás, se mostraram bem ruidosos principalmente em asfaltos mais porosos. O ar-condicionado gela muito bem a cabine, embora nos dias mais quentes seja necessário aumentar a velocidade do ventilador. Os coxins seguram bem
Em termos de consumo, chamou atenção de forma muito positiva. Em trecho urbano, fez 12,3 km/l, muito próximo dos 12,4 km/l ditos pelo programa de Etiquetagem do Inmetro, que põe os veículos em testes. A função Start & Stop, que desliga o motor quando o veículo estiver parado, também pode ser um poderoso aliado do consumo. Em termos de trabalho, quem optar por um Scudo – ou um Jumpy, ou um Expert – vai levar um carro mais versátil por entrar em lugares que os grandões não conseguem, extremamente ágil, com boa capacidade de carga e um consumo realmente interessante. Com o perdão do trocadilho infame: se as concorrentes vierem com boas armas, a Fiat ainda terá bons argumentos para se defender com o Scudo.