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Teatro

Espetáculo “Terapia”, com Marcelo Serrado, será apresentado em Natal

Monólogo chega ao Teatro Alberto Maranhão nos dias 11 e 12 de abril
Por O Correio de Hoje
06/04/2026 | 14:40

Há uma linha tênue — e cada vez mais explorada — entre o entretenimento e a exposição. “Terapia”, espetáculo que chega a Natal neste fim de semana, parece caminhar deliberadamente sobre essa fronteira. Em cena, o ator Marcelo Serrado transforma o palco em um espaço de confissão pública, onde o riso não suaviza o desconforto, mas o revela.

O monólogo, apresentado nos dias 11 e 12 de abril no Teatro Alberto Maranhão, parte de uma premissa simples — um homem em crise — para construir uma narrativa fragmentada que alterna memórias pessoais, episódios de ansiedade, tensões conjugais e reflexões existenciais. Não há uma progressão linear evidente; o texto prefere o acúmulo de situações, como se a própria estrutura imitasse o funcionamento errático de uma mente sob pressão.

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Marcelo Serrado apresenta o monólogo “Terapia”, no Teatro Alberto Maranhão, que mistura humor e relatos pessoais no espetáculo - Foto: Divulgação

Essa escolha formal aproxima o espetáculo de um registro contemporâneo, em que a fronteira entre personagem e intérprete se torna deliberadamente difusa. Serrado não se esconde atrás de uma construção ficcional rígida. Ao contrário, opera em um território híbrido, em que a autobiografia é matéria-prima, mas também dispositivo cênico. O resultado é um tipo de humor que se ancora na identificação — o público ri não apenas do que é dito, mas do reconhecimento incômodo de experiências compartilhadas.

O texto, assinado pelo próprio ator em parceria com Guilherme Rocha, investe em uma comicidade que oscila entre o sarcasmo e a vulnerabilidade. Há relatos de crises de pânico, viagens descritas como absurdas e situações conjugais levadas ao limite do ridículo — mas sempre com um subtexto que aponta para algo menos leve: a dificuldade de lidar consigo mesmo em um cotidiano saturado de expectativas.

A direção de Fernando Ceylão reforça essa dinâmica ao apostar no improviso como elemento central. Cada apresentação carrega um grau de imprevisibilidade, alimentado pela interação direta com a plateia. Piadas surgem do momento, respostas são incorporadas ao fluxo da cena e até experiências mais inusitadas — como uma sessão de hipnose conduzida ao vivo — funcionam como extensão dessa proposta de instabilidade controlada.

Há, nesse mecanismo, uma estratégia clara: reduzir a distância entre palco e público. “Terapia” não se apresenta como um espetáculo fechado, mas como um organismo em constante ajuste, que depende da reação da audiência para se completar. Isso cria uma sensação de proximidade que, por vezes, beira o desconforto — especialmente quando o humor toca em temas como ansiedade, fracasso ou desgaste emocional.

Ainda assim, o espetáculo evita o melodrama. Mesmo nos momentos em que o discurso se aproxima de uma confissão mais direta, há sempre um desvio para o humor. Não se trata de negar o peso das situações, mas de reposicioná-las. Rir, aqui, não é fuga — é método. Uma forma de reorganizar o caos interno em algo compartilhável.

Ao final, o que “Terapia” sugere, sem recorrer a fórmulas de autoajuda, é que a exposição — ainda que mediada pelo riso — pode ser uma forma de enfrentamento. Não resolve, mas desloca. E, nesse deslocamento, encontra sua força: transformar o que é íntimo em experiência coletiva, ainda que por 75 minutos.

Serviço

“Terapia” — com Marcelo Serrado
Local: Teatro Alberto Maranhão
Datas: 11 e 12 de abril
Horários: sábado às 20h | domingo às 18h
Ingressos: www.megabilheteria.com
Valores: a partir de R$ 45 (meia) e R$ 90 (inteira)
Gênero: Comédia
Duração: 75 minutos
Classificação: 14 anos
Criação e texto: Marcelo Serrado e Guilherme Rocha
Direção: Fernando Ceylão
Produção local: Jorge Elali Produções

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