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Literatura

Escritora brasileira disputa Booker Prize com romance de terror

Indicada ao Booker Prize, Ana Paula Maia leva ao cenário internacional um romance que mistura terror e crítica social, ampliando o alcance da literatura brasileira contemporânea
Por O Correio de Hoje
22/04/2026 | 14:14

A escritora Ana Paula Maia, nascida em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, alcança projeção internacional ao disputar o Booker Prize com o romance Assim na Terra Como Embaixo da Terra. A obra, que combina elementos de terror com crítica social, marca mais um capítulo na trajetória da autora, conhecida por explorar universos violentos e marginalizados em sua literatura.

Com livros publicados e reconhecimento no Brasil — incluindo o Prêmio São Paulo de Literatura, conquistado em 2018 —, Ana Paula Maia construiu uma carreira voltada a narrativas que investigam os limites da condição humana. Em seu novo trabalho, a autora apresenta uma história que articula horror e reflexão social, destacando aspectos de desigualdade e brutalidade presentes no cotidiano.

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Escritora Ana Paula Maia ganha projeção internacional com obra de crítica social Foto: Rodolfo Buhrer / Divulgação via Companhia das Letras

Ao comentar o cenário retratado em suas obras, a escritora afirma: “Vivemos tranquilamente em uma colônia penal”. A declaração sintetiza a visão crítica que permeia sua produção literária, na qual a violência e o isolamento social aparecem como elementos estruturantes das relações humanas.

O romance que a levou à disputa do prêmio britânico foi descrito por jurados como uma narrativa de impacto, com características como intensidade e atmosfera inquietante. A obra se insere em um gênero pouco explorado por autores brasileiros no circuito internacional, o que contribui para ampliar a visibilidade da literatura nacional.

Ana Paula Maia destaca que sua relação com a literatura brasileira sempre foi marcada por certa distância. “Sempre estive muito na contramão da literatura brasileira, sempre produzindo textos fortes, de terror literário não é uma tradição no Brasil”. Segundo ela, essa escolha estética reflete uma busca por explorar territórios narrativos ainda pouco consolidados no país.

A autora também comenta sobre o reconhecimento internacional e o impacto da indicação ao Booker Prize. Para ela, o processo de tradução e circulação da obra em outros países amplia o alcance de sua escrita, permitindo que temas abordados em seus livros dialoguem com leitores de diferentes contextos.

Ao tratar da violência presente em suas narrativas, Ana Paula Maia ressalta que não se trata de um recurso gratuito, mas de uma forma de refletir sobre a realidade. Em suas histórias, personagens enfrentam situações extremas que evidenciam desigualdades sociais e condições de vida precárias.

A escritora também aborda o papel do terror como ferramenta literária. Para ela, o gênero permite explorar aspectos psicológicos e sociais de maneira mais intensa, criando experiências que provocam desconforto e reflexão no leitor.

Sobre o cenário contemporâneo, Ana Paula Maia observa mudanças na forma como as pessoas lidam com a violência e o medo. Segundo ela, há uma naturalização de situações que, em outros contextos, seriam consideradas inaceitáveis.

A autora também comenta a recepção de sua obra fora do Brasil e o interesse crescente por narrativas que abordam realidades sociais complexas. Para ela, a literatura tem o potencial de revelar aspectos ocultos da sociedade, contribuindo para o debate público.

A indicação ao Booker Prize representa um marco na carreira de Ana Paula Maia, consolidando sua presença no cenário literário internacional. Ao mesmo tempo, reforça a diversidade de vozes e estilos na literatura brasileira contemporânea, ampliando o espaço para diferentes abordagens narrativas.

Com uma escrita marcada por intensidade e temas densos, Ana Paula Maia segue explorando os limites entre ficção e realidade, utilizando o terror como linguagem para discutir questões sociais e humanas.