O Rio Grande do Norte se destaca no Nordeste não pelo número absoluto de empresas inadimplentes, mas pelo peso das dívidas. Em fevereiro de 2026, o estado somou 90.093 CNPJs no vermelho e R$ 1,82 bilhão em débitos, liderando a região em indicadores como dívida média por empresa (R$ 20,2 mil), número médio de pendências por CNPJ (6,1) e ticket médio (R$ 3.337,11), conforme o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.
O desempenho contrasta com economias maiores, como Bahia, Pernambuco e Ceará, que concentram mais empresas inadimplentes, mas apresentam menor comprometimento médio por CNPJ. A leitura do indicador aponta que, no caso potiguar, a inadimplência está concentrada em empresas com dívidas mais elevadas, o que amplia a pressão sobre o caixa e dificulta a recomposição financeira, especialmente entre pequenos negócios.

O quadro local acompanha uma tendência nacional de aumento da pressão financeira. Em fevereiro, o Brasil registrou 8,8 milhões de empresas inadimplentes, com 60,7 milhões de dívidas que somam R$ 204,6 bilhões, acima dos R$ 164,2 bilhões observados um ano antes. O avanço ocorre em um ambiente de crédito mais restritivo, com juros ainda elevados, maior seletividade na concessão e dificuldades para rolagem de passivos, fatores que limitam o acesso a novas linhas e a renegociação de débitos.
Na prática, esse cenário contribui para o acúmulo de pendências e prolonga o ciclo de inadimplência. Em média, cada empresa inadimplente no país possui cerca de sete dívidas, o que indica necessidade de reorganização mais ampla do passivo e do fluxo de caixa, e não apenas de quitação pontual. A persistência desse padrão sugere um processo mais lento de regularização financeira, condicionado à melhora das condições de crédito e do ambiente macroeconômico.
No recorte regional, o Nordeste concentrou 1,17 milhão de empresas inadimplentes em fevereiro, com 6,03 milhões de dívidas que somam R$ 17,6 bilhões. A Bahia lidera em volume (324.175 CNPJs), seguida por Pernambuco (211.014) e Ceará (185.396). O Rio Grande do Norte aparece fora do topo em quantidade, mas supera estados como Maranhão e Paraíba em valor total de dívidas, evidenciando maior intensidade do endividamento.
A diferença também se reflete nos indicadores médios. Enquanto o RN ultrapassa R$ 20 mil em dívida por empresa, Alagoas registra o menor nível da região, com cerca de R$ 11 mil. Já Pernambuco e Ceará apresentam valores intermediários, próximos de R$ 15 mil por CNPJ. No cenário nacional, a dívida média por empresa chegou a R$ 23,2 mil, com ticket médio de R$ 3.370,5, patamar semelhante ao observado no estado potiguar, indicando alinhamento com a tendência brasileira de maior concentração e persistência das dívidas.