As chuvas registradas entre a noite de quinta-feira 23 e a manhã desta sexta-feira 24 provocaram acumulados de até 60 milímetros em áreas do litoral do Rio Grande do Norte, com maior intensidade em Natal. De acordo com o meteorologista da Emparn, Gilmar Bristot, o volume superou a média prevista inicialmente e deve continuar ao longo do dia, com possibilidade de transtornos em áreas urbanas.
Segundo ele, a intensificação das precipitações na manhã desta sexta-feira está associada a fatores meteorológicos específicos. “Agora, pela manhã, essa chuva intensificou por conta do incremento do efeito brisa, que alimenta mais as instabilidades, traz mais umidade, porque as águas aqui no litoral do Estado estão muito quentes. As águas superficiais estão com mais de 29 graus. Isso está liberando muita umidade”, explicou, em entrevista à 94 FM.

O meteorologista destacou que a interação entre vento e umidade favorece o aumento das chuvas, especialmente na faixa litorânea. “Quando você tem essa interação com o vento, a brisa, de manhã, na madrugada, você tem as instabilidades sendo alimentadas e as pancadas de chuvas se tornam mais fortes, principalmente na faixa litorânea”, disse.
Segundo a Emparn, o Estado entra neste período no início da quadra chuvosa do litoral, que se estende até agosto. “Lembrando que nós estamos num período chuvoso, começando agora no litoral. E com essas condições de temperatura do mar mais aquecidas que o normal, a tendência é que nos próximos meses, que são meses que já chove bastante, nós tenhamos muita chuva”, afirmou Bristot.
Ele acrescentou que diferentes sistemas atmosféricos contribuem para o cenário atual. “Por enquanto, nós estamos tendo chuvas também no interior do RN, mas aqui no litoral as chuvas estão mais intensas, devido à atuação das ondas de convergência, sistema de brisa, e agora vamos começar os sistemas de leste, que trazem muita chuva. A média de chuva aqui no litoral é de 50, 60 milímetros nas últimas 12 horas. É bastante chuva”, disse.
Apesar de a previsão inicial indicar cerca de 30 milímetros, o volume registrado foi superior. Segundo o meteorologista, isso ocorre devido à natureza das modelagens. De acordo com os pluviômetros automáticos da Semurb/Geoma, Natal registrou volume significativo de chuva nas últimas 24 horas, com dados atualizados até as 10h desta sexta 24, sendo o maior acumulado observado no Parque da Cidade, que atingiu 120,8 milímetros.
Bristot alertou para possíveis impactos na capital. “Essas chuvas que caíram e deverão continuar estão trazendo certos transtornos para o trânsito de Natal, para algumas áreas com alagamento histórico de Natal”, afirmou. Segundo ele, episódios semelhantes devem ocorrer ao longo dos próximos meses. “Nós temos que conviver, principalmente porque estamos num período chuvoso até agosto, praticamente teremos eventos de chuvas”, disse. Para o fim de semana, a previsão indica continuidade das chuvas no litoral potiguar.
Chuva no interior
No interior do RN, o cenário é de boa distribuição de chuvas, segundo a Emparn. “No interior, felizmente, nós temos uma boa distribuição de chuvas. Em abril, a região Oeste já passou a média prevista. O Seridó também está na mesma tendência”, afirmou Bristot. Ele ressaltou que, apesar do volume, os reservatórios ainda não atingiram níveis ideais. “Nós estamos hoje com 47% da capacidade máxima de armazenamento. No ano passado, nessa mesma data, nós estávamos com 58%”, disse.
A expectativa é de melhora nos próximos meses. “Com as chuvas do resto do mês de abril e maio, que nós esperamos que fique acima do normal, tanto aqui no litoral como no interior do Estado, nós devemos chegar em torno de 55%, como nós havíamos indicado no início do período chuvoso”, afirmou.
Sobre os reservatórios, o meteorologista destacou aumento no volume em diversas regiões. “Principalmente as da região do Alto Oeste, todas elas estão com um valor significativo. O Oiticica está recebendo, porque a água está sendo barrada e não está indo para Armando Ribeiro Gonçalves”, disse. Ele explicou que o fluxo deve aumentar após o enchimento. “A partir do momento que ela encher e essa água vai drenar para Armando Ribeiro Gonçalves, nós teremos uma recarga mais potencializada”, afirmou.
Outras regiões também registram recuperação. “O Seridó também tem alguns reservatórios recebendo água, como o caso de Traíras, como o caso do açude Cruzeta. A região que preocupava bastante era a região Trairi, mas tem chovido muito, então os reservatórios na região Trairi também estão com uma boa recarga, melhor do que nós tínhamos nos outros anos”, disse.