BUSCAR
BUSCAR
Política

Com desistência de Fatima, PT deve concentrar esforços na eleição de Cadu Xavier

Governadora assumirá papel central na campanha de 2026. Ela deixou claro que participará ativamente do processo eleitoral, mesmo permanecendo à frente do Executivo
Redação
18/03/2026 | 06:15

Com a decisão da governadora Fátima Bezerra (PT) de desistir de disputar o Senado e permanecer no cargo até o fim do mandato, a candidatura do secretário estadual da Fazenda, Cadu Xavier, ao Governo do Estado nas eleições de outubro passou a ser tratada como prioridade absoluta para o PT, segundo apurou o AGORA RN.

Na coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira 17 em que falou sobre o futuro político, Fátima falou sobre a estratégia. “Prioridade absoluta mesmo. Não só a candidatura do Cadu para governador, mas todas as candidaturas, como a do Senado, a nominata para deputado federal e a nossa nominata para deputado estadual”, afirmou a petista.

Reunião BSB Cadu foto Pedro Reis SRI PR
Encontro em Brasília na segunda-feira com Samanda, Fátima, Gleisi e Cadu - Foto: Pedro Reis/SRI

A governadora tratou do tema com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na segunda-feira 16. A reportagem apurou que o presidente solicitou a Fátima que, com a desistência da disputa ao Senado, ela concentrasse esforços na candidatura de Cadu Xavier no pleito de 4 de outubro. Ficou definido, durante a reunião, que a candidatura será considerada uma prioridade para o PT nacional. Uma fonte do PT afirma que a candidatura de Cadu entrará, inclusive, na mesa de negociação com outras legendas.

No Rio Grande do Norte, o arco de alianças montado por Fátima tem a participação da federação formada por PT, PCdoB e PV e pelos partidos PDT e PSB. Há, ainda, a possibilidade de adesão da federação formada por Psol e Rede, apesar de os socialistas terem lançado a pré-candidatura do professor universitário Robério Paulino.

Uma fonte a par das conversas relatou que Lula pediu a Fátima que ficasse no mandato diante do risco de o PT não conseguir eleger o sucessor em uma eventual eleição indireta na Assembleia Legislativa — que aconteceria se fosse confirmada também a renúncia do vice-governador Walter Alves (MDB), que é pré-candidato a deputado estadual.

Em entrevista ao AGORA RN, Cadu Xavier endossou a decisão da governadora e reforçou o discurso de unidade interna. Segundo ele, a permanência de Fátima no governo fortalece o projeto político em curso. “Esse ato da governadora é mais um ato de compromisso com o povo do Rio Grande do Norte”, declarou.

O secretário também classificou a escolha como resultado de “coragem e compromisso”, e afirmou que a decisão tem apoio não apenas do PT, mas também dos partidos aliados.

Em publicação nas redes sociais, Cadu disse ter “orgulho de caminhar” com a governadora. “Hoje foi mais um dia em que só fez aumentar a minha admiração pela senhora”, afirmou o secretário.

“Eles estão pensando, governadora, que vão tirar você do jogo. Mas não vão não. Você é a camisa 10 do time de Lula aqui no nosso Estado. E nós vamos andar juntos os 167 municípios, para levar os avanços do seu governo e do presidente Lula e apontar um futuro ainda melhor para o nosso povo. Nós estamos juntos e sempre estaremos. Sigamos!”, declarou o pré-candidato ao governo.

Com a desistência da disputa ao Senado, Fátima assume papel ainda mais central na campanha de 2026. Ela própria deixou claro que participará ativamente do processo eleitoral, mesmo permanecendo à frente do Executivo. Na prática, a governadora deve funcionar como principal cabo eleitoral de Cadu Xavier, além de coordenar a montagem das chapas proporcionais e a articulação com partidos aliados.

A estratégia segue um desenho já testado em outros estados: manter a máquina administrativa sob comando do grupo político e utilizá-la como base de sustentação eleitoral. Foi o que aconteceu na Bahia em 2022. O então governador Rui Costa (PT), hoje ministro da Casa Civil, abriu mão da disputa ao Senado e conduziu o governo rumo à eleição de Jerônimo Rodrigues (PT), atual governador.

Lula teria dito a Fátima que, como compensação por ficar fora da disputa eleitoral em 2026, ele acolherá a governadora em um eventual quarto mandato presidencial, a partir de janeiro de 2027. Neste caso, Fátima poderia virar ministra — foi citada a possibilidade de ela assumir a pasta da Integração e Desenvolvimento Regional, que é responsável por obras de segurança hídrica.

Expansão das bancadas

Além da disputa pelo governo, o PT definiu como prioridade a ampliação de sua presença no Legislativo, tanto em Brasília quanto no Rio Grande do Norte. Atualmente, o partido conta com dois deputados federais — Fernando Mineiro e Natália Bonavides — e três deputados estaduais: Divaneide Basílio, Francisco do PT e Isolda Dantas.

A meta é ampliar esse número em 2026, fortalecendo a base parlamentar que dá sustentação política ao projeto petista no estado e ao eventual quarto mandato de Lula no plano nacional.

A própria governadora destacou que a eleição terá peso estratégico na disputa nacional. “O Nordeste é muito importante nesse contexto da disputa a nível nacional”, afirmou, ao relatar conversas com Lula.