A primeira fase da dragagem do Porto de Natal alcançou 24,6% de execução e mantém o cronograma previsto pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte (Codern), responsável pela administração do terminal. Desde o início dos trabalhos, em 24 de abril, foram retirados aproximadamente 444 mil metros cúbicos de sedimentos do canal de acesso, volume equivalente a quase um quarto do total de 1,8 milhão de metros cúbicos previstos para esta etapa da intervenção.
De acordo com a Codern, a operação segue dentro do prazo estipulado de 120 dias para conclusão. Considerando a data de início dos serviços, a expectativa é que a primeira fase seja finalizada até o fim de outubro deste ano.

“A draga completou, na sexta-feira 19, um total de 266 viagens, tendo removido aproximadamente 444 mil m³ de material do canal de acesso. O cronograma referente à primeira fase da obra está sendo cumprido dentro do prazo previsto, mantendo-se a estimativa inicial de conclusão em 120 dias”, informou a companhia em nota.
O objetivo desta etapa é restaurar a profundidade original do calado do porto, elevando-a para 12,5 metros. A ampliação permitirá a operação de embarcações de maior porte, além de aumentar a segurança da navegação e ampliar a capacidade logística do terminal potiguar.
A dragagem é considerada uma intervenção estratégica para a competitividade do porto. Com maior profundidade, o terminal poderá receber navios com maior capacidade de carga e ampliar sua atuação em segmentos que atualmente enfrentam limitações operacionais devido às restrições do canal de acesso.
Entre as perspectivas associadas à obra está a diversificação das atividades econômicas realizadas no complexo portuário, incluindo a possibilidade de expansão da movimentação de cargas especiais e cargas vivas, um segmento considerado promissor para o Estado.
A segunda fase da dragagem, contudo, ainda não possui cronograma definido. Essa etapa contempla a adequação da bacia de evolução, área utilizada para as manobras das embarcações, e depende da conclusão de procedimentos ligados ao licenciamento ambiental.
Segundo a Codern, uma audiência está prevista para esta semana no Ministério Público Federal (MPF), após questionamentos apresentados pela Colônia de Pescadores em relação à execução dos serviços na área de manobra.
“Esse procedimento integra o processo de licenciamento ambiental necessário para a execução da segunda etapa. A Codern segue em tratativas e o cronograma será definido à medida que elas forem concluídas”, informou a estatal.
As obras de dragagem estão orçadas em aproximadamente R$ 60 milhões e integram um conjunto mais amplo de investimentos destinados à modernização da infraestrutura portuária. Os recursos são provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo Governo Federal em 2023.
Além da dragagem, o pacote contempla a instalação de defensas de proteção nos pilares centrais da Ponte Newton Navarro, a implantação de dolphins de atracação, a recuperação de galpões e armazéns e a instalação de um sistema de geração de energia fotovoltaica.
De acordo com a Codern, as obras de recuperação dos galpões, armazéns e do sistema fotovoltaico já alcançaram 52% de execução. Os dolphins do cais devem começar a ser instalados em julho, enquanto as defensas da Ponte Newton Navarro encontram-se na fase final de validação dos projetos básico e executivo.
A ampliação do calado do Porto de Natal é uma demanda antiga do setor produtivo potiguar. Em 2023, um navio encalhou no canal de acesso do terminal, evidenciando as limitações operacionais da estrutura. Na ocasião, foi realizada uma dragagem emergencial para remover um banco de areia e elevar a profundidade para 10 metros.
O novo projeto pretende ampliar esse limite para 12,5 metros, adequando o terminal às exigências do transporte marítimo contemporâneo e ampliando sua capacidade de competir por novas cargas e rotas comerciais.
A execução da obra enfrentou sucessivos adiamentos antes do início efetivo. Inicialmente prevista para janeiro de 2026, a dragagem foi postergada para março e voltou a sofrer atrasos em razão da necessidade de aprovações técnicas e da conclusão de procedimentos ligados ao licenciamento ambiental. Os trabalhos começaram efetivamente apenas no final de abril.
A intervenção está sendo executada pela DTA Engenharia. Os sedimentos removidos do canal são transportados e depositados em uma área de descarte localizada a aproximadamente 700 metros da costa, conforme os parâmetros estabelecidos pelos órgãos ambientais responsáveis pelo licenciamento.
Para a Codern, a manutenção do cronograma representa um passo importante para a modernização do terminal e para o fortalecimento da logística marítima do Rio Grande do Norte, em um momento em que o estado busca ampliar sua participação no comércio exterior e atrair novos investimentos para a infraestrutura portuária.