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Violência
Diretor de filmes pornôs premiado é acusado de estupro por atrizes
Duas mulheres registraram boletins de ocorrência contra Fábio Pereira da Silva, conhecido como Binho Ted, diz site
O Globo
30/07/2021 | 16:12

O diretor de filmes pornôs Fábio Pereira da Silva, conhecido como Binho Ted, de 43 anos, está sendo acusado de estupro por atrizes. Duas delas registraram boletins de ocorrência contra ele, que nega os crimes. As informações são do portal “UOL”, que conseguiu contato com sete atrizes que já trabalharam com Fábio e relataram terem sofrido violência sexual por parte dele.

De acordo com três das atrizes, a abordagem ocorreu em intervalos de descanso e fora dos sets de filmagem. Cinco relatos apontam para violação de regras durante filmagens: Fábio teria realizado ou tentado realizar práticas sexuais barradas pelas atrizes sem consentimento.

As atrizes afirmam que Fábio se aproveitaria, principalmente, das iniciantes, que se sentem mais inseguras e vulneráveis. Depois dos abusos, segundo elas, o diretor ameaçaria as vítimas, dizendo que iria prejudicá-las no trabalho e contaria sobre os filmes para parentes e amigos, já que algumas atrizes escondem o trabalho na indústria pornô.

Uma das atrizes que contou ter sido estuprada por Fábio foi Evelyn Buarque, de 23 anos. Segundo ela, em maio de 2018, quando estava se maquiando, o diretor tentou forçar uma relação sexual. A atriz o empurrou mas, de acordo com ela, Fábio só desistiu do abuso quando uma pessoa entrou no local onde eles estavam. Evelyn fez um boletim de ocorrência contra o diretor em maio deste ano.

“Ele dizia que, se eu abrisse a boca, perderia outros trabalhos. Eu me sentia manipulada, queria falar, mas não tinha forças. Eu era uma menina que estava começando e achava que as pessoas pensariam que eu queria aparecer”, contou.

Evelyn criou um grupo de WhatsApp para incentivar mulheres a denunciar o diretor. Ela afirmou ter tido contato com 12 mulheres que o acusaram de abuso. Além dela, a atriz Teh Angel também fez um registro de ocorrência contra Fábio.

Exposição em vídeo

A primeira a expor o diretor foi Ágatha Ludovino, de 21 anos. Em 2019 ela publicou um vídeo numa rede social acusando Fábio de abusos em três ocasiões. Ela apagou o registro por, segundo afirma, ter recebido ameaças de pessoas ligadas a Fábio. Mas, agora, também pretende fazer um registro de ocorrência.

Ágatha contou que, após a publicação do vídeo, as ofertas de trabalho diminuíram. Ela acredita que isso aconteceu por Fábio ter pedido a outros diretores que não a contratassem. A atriz disse ter se sentido desamparada pois pelo fato de, logo após sua denúncia, Fábio ter vencido o Prêmio Sexy Hot como melhor diretor do ano — a premiação é a mais importante da indústria pornô do Brasil.

Luara Amaral, de 21 anos, disse que Fábio a traumatizou quando, em 2019, “passou a mão em suas partes íntimas” quando ela se trocava. Em outra ocasião ela afirma ter sido estuprada pelo diretor nos bastidores — ele não teria usado preservativo. A atriz denuncia que, no dia seguinte, foi novamente abusada por Fábio, que a fez tomar duas pílulas do dia seguinte.

De acordo com a reportagem do “UOL”, há anos rumores sobre abusos cometidos por Fábio circulam nos bastidores da indústria de filmes pornôs. O portal teve contato com um diretor que, de forma anônima, revelou que Fábio contou ter “macetes” para se aproveitar de atrizes. A revelação teria sido feita durante um trabalho feito pelos dois, em 2020.

O Sexy Hot informou que, ao saber das denúncias, tirou de sua programação todos os filmes licenciados da HardBrazil, a produtora de Fábio, e deixou de comprar vídeos dela. O canal informou ainda que o prêmio de melhor diretor foi escolhido pelo público.

Diretor nega abusos

Há 22 anos na indústria pornô, Fábio nega os abusos. Ao “UOL” ele disse que as atrizes que o acusam qurem “aparecer”, agem assim por motivos pessoais ou por “birra”, por não terem sido mais chamadas para participar de seus filmes. O diretor alega também que produtores orquestram sua difamação para se livrarem da concorrência. Ele afirmou ainda que a acusação de Luara é falsa: “Filmamos na presença de todos uma cena de simulação de sexo. Não ocorreu estupro nem foi oferecida pílula para a atriz.”

O diretor negou também as acusações de Ágatha, alegando que “ela vem a cada instante com uma versão mentirosa”. De acordo com ele, “são todas inverdades”. Já em relação a Evelyn, ele afirma não ter tido “nenhum tipode relação sexual” com ela. Fábio relatou ainda que, dois dias após a filmagem, a agtriz fez um post no Instagram para agradecer pelo trabalho.

Fábio deu entrada num inquérito policial, na 97ª DP, em São Paulo, contra Evelyn, Teh Angel e Ágatha Ludovino dizendo ter sido vítima de difamaçao e calúnia por parte das três.

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