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Ação

Crea intensifica fiscalização sobre carregadores de veículos elétricos

Conselho alerta para riscos de instalações irregulares e exige responsabilidade técnica de engenheiros eletricistas
Redação
07/11/2025 | 05:51

O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (Crea-RN) está ampliando a fiscalização sobre a instalação de carregadores de carros elétricos em empreendimentos da Região Metropolitana de Natal. A ação faz parte de uma força-tarefa que também verifica hospitais, escolas, shoppings e postos de saúde. Segundo o presidente do órgão, Roberto Wagner, o aumento no uso de veículos elétricos exige atenção redobrada para evitar riscos elétricos e acidentes.

“Para todo empreendimento fiscalizado, os nossos fiscais estão orientados a fazer uma provocação: se há carregadores de carro elétrico naquele empreendimento, como foi instalado e se existe um responsável técnico”, explicou Wagner. “Temos percebido um baixo nível na técnica utilizada para a instalação desses carregadores. Não há respeitabilidade de normas. É um alerta: cuidado. Tem muita gente que tem CNPJ, mas não domina a boa técnica”, disse ele, em entrevista à TV Agora RN nesta quinta-feira 6.

Crea intensifica fiscalização sobre carregadores de veículos elétricos
Conselho alerta para risco de acidentes e pede que estruturas sejam instaladas com apoio de engenheiros eletricistas - Foto: José Aldenir/Agora RN

O presidente, que é engenheiro eletricista, ressaltou a complexidade desses equipamentos. “O chuveiro elétrico é uma potência reconhecidamente pesada. Imagine três chuveiros elétricos funcionando por seis horas contínuas – é um risco muito grande. Isso é o equivalente a um carregador de carro elétrico. Então não há espaço para amadorismo”, alertou.

Wagner destacou que a instalação deve ser feita por profissionais habilitados. “Não é como instalar uma lâmpada ou um portão automático. Existe uma complexidade, um estudo, uma avaliação que apenas o engenheiro eletricista tem capacidade de fazer. Pode haver uma fuga de corrente e provocar a morte de quem manipula, ou danificar o equipamento”, afirmou.

O dirigente lembrou ainda um caso recente de incêndio envolvendo um carro elétrico no Rio Grande do Sul. “Foi o primeiro incidente com carro elétrico, e não foi por falha do equipamento, mas por improviso. Usaram um carregador portátil, deixaram dentro do carro, aqueceu o banco e pegou fogo. Já vi muitos prédios usando equipamentos emergenciais de forma definitiva, e isso põe em risco vidas e patrimônios”.

Conselho defende lei que obrigue órgãos públicos a incluir plano de manutenção em novas obras

O presidente também falou sobre a defesa do Crea-RN da criação de uma lei que obrigue os órgãos públicos a incluírem um plano de manutenção nas novas construções. A proposta foi discutida em Brasília, no gabinete da deputada federal Carla Dickson (União), e prevê que toda obra pública, como escolas, pontes e postos de saúde, já saia do papel com previsão de verba para manutenção pelos próximos anos.

“Percebemos a necessidade de verificar, no sentido de proteger a sociedade, a manutenção dos equipamentos públicos”, afirmou Wagner. “Em 31 de janeiro deste ano, nós cobramos ao Dnit, à Secretaria de Infraestrutura, ao DER, às prefeituras de Natal e Mossoró, solicitando os planos de manutenção dos equipamentos públicos, leia-se pontes, passarelas, viadutos, onde há maior risco à sociedade. Tivemos algumas respostas, não foram as melhores, mas avançamos.”

Segundo ele, o projeto de lei propõe que ao se construir um equipamento público, além do projeto executivo, exista também o plano de manutenção e a verba alocada para manutenção nos cinco ou dez anos seguintes. O presidente defende que a medida trará economia e segurança. “É mais seguro, mais barato e melhor para todos. É um ganha-ganha. A manutenção preventiva e preditiva é muito mais eficiente”, destacou.

Roberto Wagner criticou a cultura de “quebra e repara” predominante nas gestões públicas. “O que a gente percebe é que vivemos aquele ciclo de quando está próximo ao colapso. Quando se identifica algum dano, começa uma corrida por verbas, mas nem sempre esse tempo físico-financeiro se casa. Como aconteceu na ponte entre Tocantins e Maranhão: sabiam que estava em estado crítico, mas antes da intervenção, colapsou”, alertou.

Ele lembrou que a Ponte de Igapó, em Natal, tem o mesmo grau de criticidade apontado pelo DNIT. “Daí já é uma justificativa de que essa obra foi tão traumática. A manutenção recorrente e preventiva é extremamente necessária para a preservação e o pleno uso dos equipamentos públicos, além da eficiência na gestão”, afirmou.

Wagner também mencionou o caso da Ponte Newton Navarro, que já ultrapassa 20 anos sem uma grande manutenção. “A ponte foi construída sem as defensas. Existe uma verba da ordem de cerca de R$ 50 milhões para a construção dessas defensas e manutenção. Todo equipamento tem que ter manutenção preventiva”, frisou.

O presidente voltou a enfatizar que “é melhor, mais barato e mais seguro atuar na manutenção preventiva do que na corretiva”.

EngeConecta 2025

O Wish Hotel, na Via Costeira, em Natal, recebe nos dias 17 e 18 de novembro o EngeConecta 2025, evento promovido pelo Crea-RN para discutir a importância da engenharia, da responsabilidade técnica e das boas práticas em obras e manutenção de condomínios e edificações. A iniciativa busca aproximar engenheiros, síndicos e gestores, promovendo um diálogo sobre segurança, eficiência e inovação na gestão condominial.

A programação contará com palestras e painéis técnicos conduzidos por nomes como Roberto Wagner (presidente do Crea-RN), Thiago Mesquita (Semurb), Laurêncio Menezes (Corpo de Bombeiros), Elba Roberta (Ibape/RN) e Jefferson Albuquerque, organizador do evento. Segundo os organizadores, o EngeConecta é uma oportunidade para quem quer elevar a gestão condominial a outro nível, entendendo o papel essencial da engenharia na prevenção de riscos e na valorização dos imóveis.

As inscrições estão abertas com valores de R$ 50 (1º lote) e R$ 80 (2º lote), através do site engeconecta2025.eventos.dype.com.br, e o público-alvo inclui síndicos, administradores e profissionais que buscam aprimorar a gestão e a segurança das edificações.