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Coluna
Cracolândia em Natal mostra a face mais cruel dos crimes comandados pelos traficantes
Confira a coluna de João Ricardo Correia desta quarta-feira 21
João Ricardo Correia
21/07/2021 | 08:05

No meio do caminho, há uma cracolândia

A caminho da redação, nesta terça-feira à tarde, o colunista se depara com mais uma cracolândia em Natal. Fica na avenida Antônio Basílio, entre a Jaguarari e a São José, sob a marquise de uma empresa com fachada azul, que vendia produtos de alumínio e fechou há alguns meses.

Lá estavam cinco jovens, dois deles deitados, rendidos, quase certamente, pela fome e pelos efeitos devastadores do crack. Pedaços de papelões, plásticos e um carrinho velho de supermercado completavam o cenário.

Curioso, o repórter talhado buscando a informação na rua, sem as facilidades do copiou-colou dos tempos modernos, observou a cena por uns minutos e conversou com dois moradores e comerciantes da região. Relataram que aquela turma está ali desde que a loja fechou, que passam o dia consumindo drogas, dormindo, falando alto e à noite saem “como zumbis” pelas ruas.

Há relatos de arrombamentos a residências e estabelecimentos comerciais, à noite e madrugada a dentro. Durante o dia, contou um morador, “eles ficam usando o crack e caídos no chão”.

Naquela situação, aqueles rapazes ficam, praticamente, invisíveis à sociedade. Sujos, descabelados, usando trajes rasgados, descalços, se tiveram sorte são traduzidos em números do IBGE e nada mais. Os motivos que os levaram até ali são variados, mas todos têm relação com o consumo e, portanto, com o tráfico de maconha, cocaína, LSD, heroína, merla e o aterrorizante crack, que passa a agir no organismo de sua vítima logo nos primeiros cinco segundos a partir do consumo, deixando um rastro de dor e morte.

Não sei se aqueles sujeitos que ali estavam terão alguma chance de, ao menos, tentar mudar de vida. Os governos – municipal, estadual e federal – são falhos, há vários anos, nos programas de assistências a aqueles e outros tipos de miseráveis. Fazem pouco, muito pouco, diante das necessidades que estão expostas por aí, aos olhos de quem deseja vê-las e condena esses covardes denominados traficantes de drogas, que sobrevivem às custas da destruição de famílias mundo afora.

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