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Seleção brasileira

Corte de Wesley leva Ancelotti a reforçar meio-campo e indica mudança de rota na seleção brasileira

Convocação de Éderson em vez de outro lateral-direito reforça tendência observada nos amistosos e amplia opções para o setor central da equipe
Por O Correio de Hoje
08/06/2026 | 14:01

A lesão de Wesley e sua consequente saída da seleção brasileira às vésperas da Copa do Mundo abriram espaço para uma mudança que vai além da simples reposição de elenco. Ao optar pela convocação do meio-campista Éderson, da Atalanta, em vez de chamar outro lateral-direito, o técnico Carlo Ancelotti sinalizou uma possível correção de rota na montagem da equipe e reforçou uma tendência observada nos últimos amistosos da seleção.

O lateral de 22 anos teve uma lesão na coxa esquerda confirmada por exames médicos e foi cortado da competição. A expectativa inicial era de que a vaga fosse preenchida por um jogador da mesma posição, com nomes como Paulo Henrique e Vitinho sendo apontados como favoritos por integrarem a lista preliminar enviada à Fifa.

Éderson
Éderson, que atua no meio-campo, foi convocado para substituir Wesley - Foto: Reprodução

A Confederação Brasileira de Futebol, porém, anunciou a convocação de Éderson, que se apresenta ao grupo nos Estados Unidos ainda nesta semana.

A escolha surpreendeu parte dos torcedores, mas encontra respaldo na avaliação técnica feita por Ancelotti durante o período de preparação para a estreia contra Marrocos, marcada para sábado, em Nova Jersey.

Com Danilo e Roger Ibañez capazes de atuar pela lateral direita, o treinador italiano aproveitou a oportunidade para aumentar as opções em um setor considerado mais carente: o meio-campo.

A seleção iniciou a preparação para o Mundial com apenas cinco jogadores da posição, número inferior ao registrado em convocações para as últimas Copas do Mundo, quando o grupo normalmente contava entre seis e oito meio-campistas.

A composição enxuta do setor refletia a tentativa de Ancelotti de compensar a falta de meias mais criativos com uma estrutura ofensiva formada por quatro atacantes. No entanto, os amistosos contra Panamá e Egito indicaram que o equilíbrio da equipe pode ser maior com a presença de um terceiro homem no meio-campo.

A melhora de desempenho ficou evidente principalmente no segundo tempo diante do Panamá e na primeira etapa do amistoso contra o Egito. Com um jogador a mais no setor central, a seleção passou a disputar melhor a posse de bola, criou mais oportunidades ofensivas e reduziu os espaços concedidos aos adversários.

Lucas Paquetá foi utilizado como esse terceiro meio-campista e teve participação importante na construção das jogadas. O desempenho da equipe, entretanto, também evidenciou a ausência de alternativas para desempenhar a mesma função.

Neymar, que não participou dos primeiros treinamentos com o grupo nos Estados Unidos, poderia exercer o papel quando o Brasil estiver com a posse da bola. Defensivamente, porém, sua utilização apresenta limitações dentro da proposta de pressão e intensidade defendida por Ancelotti.

Após a vitória sobre o Egito, o volante Bruno Guimarães destacou a diferença entre as duas formações testadas pela comissão técnica.

“Contra o Panamá, a gente ficou muito exposto. Hoje, ele colocou mais um cara no meio. Acho que a gente defendeu bem melhor, no meu ponto de vista, e construiu melhor também. Tivemos mais chances de fazer gols no primeiro tempo. Mas o homem sabe o que está fazendo”, afirmou.

Nesse contexto, a convocação de Éderson passa a fazer mais sentido. Embora nomes como Andrey Santos e Gabriel Sara também estivessem no radar, o jogador da Atalanta oferece características consideradas estratégicas pela comissão técnica.

Além da capacidade de atuar em diferentes funções do meio-campo, Éderson apresenta perfil mais criativo e tem a vantagem de ser destro, característica que amplia as combinações possíveis ao lado dos canhotos Paquetá e Danilo Santos.

A decisão também sugere que o esquema com três jogadores no meio não será utilizado apenas em situações específicas de partida, mas pode se tornar uma alternativa frequente ao longo do torneio.

Após o amistoso diante do Egito, Ancelotti demonstrou satisfação com o desempenho da equipe utilizando essa configuração.

“Fizemos 60 minutos bons, em nível defensivo e ofensivo. Pressionamos alto, bem, a equipe jogou com intensidade, respeitando o plano do jogo. Então, saio com muito mais certezas”, afirmou o treinador.

A mudança de cenário também altera o papel da lateral direita. Sem Wesley, o Brasil perde um jogador cuja principal característica era a profundidade ofensiva, com velocidade, drible e presença constante na linha de fundo.

A tendência é que a posição seja ocupada por Danilo ou Ibañez, atletas que exercem funções diferentes. Ambos atuam prioritariamente como zagueiros em seus clubes e oferecem maior segurança defensiva.

Ibañez contribui especialmente na proteção do setor e na saída de bola, enquanto Danilo apresenta participação mais ativa na construção ofensiva, embora sem reproduzir a capacidade de aceleração e infiltração demonstrada por Wesley.

“A característica muda demais. Sou um jogador muito mais talvez de leitura de jogo, de boa construção, de passe limpo quando as jogadas começam. E é como posso potencializar meus companheiros. Mas aí deixo para o Mister, que ele decide o melhor”, afirmou Danilo.

Para Wesley, a lesão interrompe um dos momentos mais importantes da carreira. O lateral tornou-se o primeiro jogador cortado da seleção brasileira às vésperas de uma Copa do Mundo desde 2006 e agora seguirá tratamento médico na AS Roma, clube ao qual pertence.

Em publicação nas redes sociais, o atleta lamentou a ausência no torneio. “Interromper um sonho” e sentir a dor de “não poder continuar vestindo a camisa da seleção brasileira neste momento”, escreveu.

“Mas quem conhece a minha história sabe que desistir nunca foi uma opção”, completou.