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Vendas

Copa do Mundo impulsiona vendas de eletrônicos, mas inadimplência desafia varejo

Demanda por TVs maiores e dispositivos conectados cresce, enquanto setor ajusta crédito diante de endividamento recorde
Por O Correio de Hoje
27/04/2026 | 15:12

A proximidade da Copa do Mundo reacende o apetite do consumidor por eletroeletrônicos e deve impulsionar as vendas no primeiro semestre, com destaque para televisores de tela grande e dispositivos conectados. O evento, tradicionalmente comparado a uma “Black Friday” para o setor, ocorre, no entanto, em um cenário de inadimplência elevada, que pressiona estratégias de crédito e financiamento no varejo.

A expectativa da indústria é de aumento na demanda por smart TVs de 65 polegadas ou mais, equipadas com recursos de inteligência artificial e preparadas para a TV 3.0 interativa, cuja implementação foi prometida pelo governo ainda nesta edição do torneio. Ao mesmo tempo, a expansão do 5G e o avanço do streaming ampliam o consumo de conteúdo em dispositivos móveis, reforçando a procura por smartphones com maior capacidade de conexão.

TV Copa
Demanda por TVs maiores e dispositivos conectados cresce, enquanto setor ajusta crédito para endividados - Foto: reprodução / internet

Apesar do cenário favorável do ponto de vista da demanda, o setor enfrenta um ambiente de restrição financeira do consumidor. Em março, 44,4% dos brasileiros adultos estavam inadimplentes, o maior nível desde o início da série histórica do SPC Brasil, em 2015. O dado indica que mais de quatro em cada dez consumidores deixaram de honrar compromissos financeiros, o que limita a expansão do crédito e aumenta o risco de calote.

A tentativa de equilibrar crescimento de vendas e controle de risco tem levado varejistas a adotar uma postura mais cautelosa na concessão de crédito, ao mesmo tempo em que ampliam facilidades de pagamento. Redes como o Magazine Luiza oferecem parcelamentos mais longos no crediário próprio, enquanto mantêm critérios mais rígidos de aprovação. Já a Casas Bahia afirma adotar postura conservadora, com maior exigência de entrada para reduzir a inadimplência.

Medidas do governo federal são vistas como possíveis estímulos ao consumo. A isenção de Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil, que entrou em vigor neste ano, pode injetar cerca de R$ 30 bilhões na economia. Além disso, está em discussão a liberação de até 20% do saldo do FGTS para quitação de dívidas, o que poderia aliviar o orçamento das famílias e reativar a capacidade de compra.

Do lado da indústria, fabricantes intensificam lançamentos e campanhas voltadas ao período. Empresas como Samsung, LG e o grupo Multi apostam em modelos com inteligência artificial e maior imersão audiovisual, com preços que variam entre R$ 3.500 e R$ 5.000 para televisores de 65 polegadas. A expectativa é de crescimento relevante nas vendas em relação ao ciclo anterior.

O setor também se apoia em forte investimento publicitário. Estimativas indicam que as campanhas ligadas à Copa devem movimentar cerca de R$ 5,5 bilhões, o equivalente a 20% de todo o investimento em publicidade realizado no ano passado. A maior parte desse montante está associada a cotas oficiais de patrocínio e ações de marketing de grandes marcas.

Mesmo diante de juros elevados e restrições financeiras, a avaliação do mercado é que o apelo emocional do evento tende a sustentar o consumo. A combinação entre inovação tecnológica, estratégias comerciais e estímulos econômicos deve definir o desempenho do varejo de eletroeletrônicos em um dos períodos mais relevantes do calendário comercial.