A ampliação da expectativa de vida das mulheres tem colocado em evidência a necessidade de cuidados contínuos com a saúde, especialmente a partir dos 40 anos. Segundo a ginecologista e professora da UFRN, Anaísa Dantas, a vacinação é um dos principais instrumentos para garantir qualidade de vida ao longo do envelhecimento feminino.
“Quando a gente fala sobre longevidade feminina, a gente se preocupa em quê? Se preocupa em entender que não importa apenas viver muito, mas viver muito e melhor”, afirmou, em entrevista à 95 FM. De acordo com a especialista, essa fase coincide com o climatério, período de transição que antecede a menopausa e provoca mudanças hormonais e metabólicas no organismo.

Nesse contexto, a médica destacou a redução natural da imunidade. “A partir dos 40 anos, ocorre um fenômeno chamado de imunossenescência. Ou seja, o seu sistema de defesa, que o seu sistema imunológico, ele começa a cair”, explicou. Segundo ela, a queda hormonal contribui diretamente para essa diminuição da resposta imunológica.
A vacinação, nesse cenário, atua como medida preventiva. “Vacinar vai ser uma forma de você estar também promovendo longevidade com qualidade de vida”, disse. A médica ressaltou que doenças crônicas, como diabetes e cardiopatias, tornam infecções mais graves em pessoas não imunizadas. “Essas infecções vão ter tendência a ter complicações muito mais sérias no seu organismo”, afirmou.
Entre as vacinas recomendadas, Anaísa Dantas citou a imunização contra o HPV, vírus associado ao câncer do colo do útero. “O principal causador do câncer de colo de útero é o HPV”, disse. Ela destacou que a vacina é oferecida pelo SUS para adolescentes, mas pode ser aplicada em outras faixas etárias na rede privada.
Outra vacina apontada como relevante é a contra herpes zoster, indicada principalmente após os 50 anos. “Um herpes zoster complicado leva a uma complicação que a gente chama de neuralgia persistente”, afirmou. Também foram mencionadas vacinas como hepatite B, influenza, meningocócica e reforços contra difteria e tétano.
A especialista alertou que a vacinação não deve ser associada apenas à infância. “O nosso calendário vacinal não termina quando a gente entra na fase adulta”, disse. Ela também destacou a importância da imunização para proteção coletiva. “Quando você toma essas vacinas, você também vai estar protegendo pessoas que você ama, que estão ao seu redor”, afirmou.
Segundo a médica, a baixa adesão entre mulheres adultas está relacionada a fatores culturais. “Nós mulheres temos uma cultura de priorizar primeiro cuidar dos filhos e esquecemos de cuidar da gente”, disse. Ela reforçou que manter a carteira vacinal atualizada é um ato de cuidado individual e coletivo.
A orientação é procurar unidades básicas de saúde ou acompanhamento médico. “A rede pública está completamente apta para informar como que ela precisa regularizar esse seu cartão de vacina”, afirmou. Na rede privada, o acompanhamento pode ser feito com o ginecologista.