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Saúde

Brasil registra uma morte por AVC a cada seis minutos

Cirurgiã vascular explica tipos da doença, fatores de risco e relação com estilo de vida
Por O Correio de Hoje
27/04/2026 | 13:16

O Brasil registra uma morte por acidente vascular cerebral (AVC) a cada seis minutos, segundo dados citados durante entrevista à rádio 94 FM na manhã desta segunda-feira 27. Apenas nos três primeiros meses do ano, mais de 20 mil pessoas morreram em decorrência da condição, que tem apresentado crescimento também entre pessoas mais jovens.

A cirurgiã vascular Camila Antunes detalhou que existem dois principais tipos de AVC. “Um é o AVC isquêmico, que não chega sangue no cérebro. E aí pode ser decorrente tanto de um estreitamento nas carótidas, são as artérias aqui na região do pescoço, por tabagismo, por deposição de colesterol, envelhecimento. E também pode ser porque sai um êmbolo do coração, muitas vezes causado por arritmias, forma um trombo no coração e esse trombo vai parar no cérebro e causa o AVC”, explicou. “E o outro tipo de AVC é o hemorrágico, que pode ser por um aneurisma que rompeu e, geralmente, pode estar associado a uma malformação vascular ou hipertensão”, disse.

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Mais de 20 mil mortes por AVC foram registradas apenas nos três primeiros meses do ano - Foto: Freepik

Sobre casos envolvendo atletas e pessoas de alto rendimento, Camila Antunes apontou possíveis causas. “No caso desses pacientes que sofrem um AVC de alta performance, a gente vai acreditar que seja ou por causa cardiológica, que fez uma arritmia, ou pelo uso de anabolizantes, que a gente sabe que é prática comum nesses pacientes”, afirmou.

O aumento de registros entre pessoas mais jovens chama atenção. “É um dado muito alarmante. Até poucos anos atrás, o que a gente via era a prevalência dos pacientes mais velhos. Até 7% dos idosos podem ter algum tipo de AVC. E, ao passar do tempo, a gente vê essa transformação, essa mudança”, disse.

A especialista também explicou os efeitos da isquemia cerebral, que ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo. “O cérebro é um órgão nobre. Tanto é que a circulação dele é diferente. A gente fala como se ele fosse mais ‘privilegiado’ quanto à quantidade de sangue que tem que chegar lá. É o principal, ele e o coração. E, quando a gente tem a isquemia, para de chegar fluxo sanguíneo, oxigênio, nutrientes para o cérebro. Ele é o primeiro a sofrer o dano”, afirmou.

Segundo ela, o quadro pode provocar perdas temporárias ou permanentes. “No caso do cérebro, pode acontecer de haver esse lapso de memória lacunar, amnésia lacunar, que é chamada. Alguns casos são reversíveis e outros, infelizmente, não”, explicou.

Entre os fatores de risco para doenças vasculares, a médica destacou condições já conhecidas. “O envelhecimento, sem dúvida, é importante para todas as doenças, seja linfática, venosa, arterial. Quando a gente fala em doença arterial, a gente também vê o tabagismo, o diabetes, a hipertensão, o sedentarismo e a obesidade. A população entende que a gente tem que combater”, afirmou.

Ela também abordou o lipedema, condição caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura em determinadas regiões do corpo. “O lipedema, a gente reconhece, o paciente se vê, com a desproporção de gordura. O paciente tem uma gordura mais inflamada, geralmente é uma gordura mais dolorosa, de difícil remoção, região de quadris, pernas e, às vezes, até braços”, disse.

Sobre o tratamento, destacou a importância da alimentação. “No lipedema, a gente fala, a base é a dieta. A dieta anti-inflamatória. Não é só a dieta para você perder peso. É uma dieta que a gente vai melhorar a condição de inflamação do organismo. E aí, a restrição do glúten, a restrição de condimentados, do álcool, o açúcar, é o que a gente mais orienta os pacientes”, afirmou.

A prática de exercícios também foi mencionada, com ressalvas. “Eu costumo dizer que eu nunca proíbo tudo. Então, o exercício de alto impacto vai ser importante a gente retirar no início do quadro, quando o paciente está muito inflamado”, explicou.