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Transporte

Consultor do Seturn reclama que frota de ônibus só diminui

Nos últimos cinco anos, somente oito veículos foram comprados, segundo Nilson Queiroga; frota era de 600 ônibus e caiu a 400
Daniel Guimarães
24/01/2023 | 08:31

Nilson Queiroga, consultor técnico do Sindicato das Empresas de Transporte Urbano (Seturn), cobrou a atualização da planilha de preços do transporte de Natal. De acordo com ele, a frota de transporte coletivo só diminui. “Nos últimos cinco anos, o sistema de transporte de Natal comprou apenas 8 ônibus novos. Deveria comprar de 50 a 60 por ano. Antes a frota era de 600, hoje não chega nem a 400”, disse ele, em entrevista ao Jornal da Cidade, da 94 FM, nesta segunda-feira 23.

Segundo o representante, já faz 44 meses de congelamento no reajuste e o órgão gestor não apresentou propostas que solucionem o problema. “Atravessamos toda uma pandemia e tudo mudou. Até o presente nós estamos cobrando a mesma tarifa. A Prefeitura, não sei por qual razão, mantém essa planilha guardada a sete chaves”.

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Nilson Queiroga disse que empresário do transporte querem licitação - Foto: José Aldenir/Agora RN

Ainda sobre a questão, Queiroga comentou que a inflação dos insumos nestes 44 meses de congelamento de presos tem prejudicado cada vez mais o setor. “Um ônibus novo custava R$ 303 mil. O último foi comprado a R$ 575 mil. Foram 89% de reajuste. Todos esses insumos têm que ser atualizados na planilha, que é o que está se pedindo”. Além disso, segundo Nilson, houve aumentos significativos no preço do diesel.

Segundo Queiroga, o volume de passageiros transportados não chega nem próximo ao período de pré-pandemia. “Nesse período de recesso está em torno de 65%. No período normal, de novembro a dezembro chegou a 70%. A perspectiva otimista, para este ano, é de apenas se manter. Mas a perspectiva realista é que a demanda deste ano vai cair”, afirmou. O setor de transportes busca encaixar a pauta de reajuste da planilha tarifária nas reuniões do Conselho Municipal de Transporte e Mobilidade Urbana de Natal (CMTMU), mas o assunto segue indefinido por parte da secretaria.

Queiroga comentou ainda que a STTU prometeu um redesenho da rede transportes, mas o que está acontecendo é, segundo ele, apenas uma análise da situação atual das linhas junto a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP). “A ANTP vai apresentar uma análise técnica para ver como está o sistema de Natal. Os empresários cobram um redesenho porque isso vai levar uma operação mais racional do sistema urbano. Então, se for fazer hoje como está, a tarifa fica muito cara, comenta-se nos bastidores que seja em torno de R$ 6”, afirma.

Licitação

Sobre a situação da licitação dos transportes urbanos, que não sai do papel, o representante enfatizou a crítica ao poder público. “Silêncio do órgão gestor. Silêncio do Município. E o serviço sendo prestado todo dia e as empresas contabilizando passivo, endividamento. Os empresários querem a licitação. Por quê? Porque não tem regras. Havendo a licitação, anualmente, está definido em contrato que todas as condições têm que ser revistas”, afirmou.

Relação do setor com o poder público

Devido a insatisfação do segmento de transporte com a gestão municipal, Queiroga afirmou que “o que está salvando é a política do Estado”. De acordo com o representante, o auxílio está ajudando na continuidade do serviço. “O Estado tirou o ICMS e está prometendo trazer incentivos para renovação da frota, e diminuir os impostos. Tem discussões também em um projeto de lei para subsídio para pessoas com deficiência. Então as coisas estão acontecendo”.

“Do Município, do ISS (Imposto Sobre Serviços a prestação de serviços) não se fala, da licitação não se fala, da gratuidade do dia da eleição não se fala. Nós não recebemos. Transportou-se todo mundo de graça por um decreto municipal, mas não se fala em pagamento”, criticou.

Obra na Felizardo Moura. “O transporte tem muitas reclamações. E para completar, esta obra – Felizardo Moura – que vai trazer um benefício, mas está causando um transtorno enorme. No último sábado, foram perdidas 100 viagens. Então há reclamação: ‘o serviço é ruim’. Mas olhas as condições que são ofertadas para produção desse serviço de transporte”, disse Queiroga.