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Economia

Construtora ligada a grupo coreano pede autofalência no Ceará e deixa rombo bilionário

Empresa criada para construir a Siderúrgica do Pecém admite dívida de R$ 644 milhões, mas credores afirmam que passivo pode chegar a R$ 1 bilhão
Redação
19/01/2026 | 12:45

A Posco Engenharia e Construção do Brasil, responsável pela implantação da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), entrou com pedido de autofalência na Justiça do Ceará após acumular um passivo que pode se aproximar de R$ 1 bilhão. A empresa é controlada pela sul-coreana Posco Engineering & Construction Co. e esteve à frente de uma das maiores obras privadas já executadas no estado.

De acordo com informações divulgadas na coluna de Carlos Madeiro, no UOL, a construtora atuou na construção da CSP entre 2011 e 2016. O contrato para a obra da usina somou US$ 5,5 bilhões — cerca de R$ 30 bilhões na cotação atual — valor que foi totalmente quitado. Mesmo após o início das operações, a empresa deixou de pagar obrigações trabalhistas, fornecedores e tributos no Brasil.

PECEM
Vista da Companhia Siderúrgica do Pecém, no Ceará, obra executada pela Posco Engenharia e Construção do Brasil. Foto: Divulgação

Em setembro de 2025, alegando uma crise econômica considerada irreversível, a Posco protocolou o pedido de autofalência, incluindo aproximadamente 40 empresas como credoras. A decisão suspende ações de cobrança, interrompe a incidência de juros e concentra os processos em um único juízo, o que provocou reação imediata dos credores.

No processo, a construtora reconhece uma dívida de R$ 644 milhões, formada principalmente por débitos trabalhistas. Credores, no entanto, contestam os números e sustentam que o valor real é significativamente maior. Apenas em tributos federais, incluindo cobranças da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, a estimativa apresentada supera R$ 200 milhões.

Apesar do volume da dívida, os bens declarados pela empresa são escassos. A Posco informou possuir apenas um terreno avaliado em R$ 1,1 milhão, um veículo sem condições de uso, R$ 109,80 em conta bancária e cerca de R$ 4,8 mil em aplicações financeiras. Outros recursos mencionados no processo estão depositados judicialmente e não podem ser utilizados para quitar dívidas fora dessas ações.

Entre os principais credores está a Campelo Costa Sociedade de Advogados, que tem um crédito reconhecido de R$ 567 milhões. O valor foi confirmado em procedimentos arbitrais e já motivou uma decisão de primeira instância que desconsidera a personalidade jurídica da empresa no Brasil, autorizando a cobrança direta da matriz sul-coreana e da holding internacional do grupo.

A CSP, único grande empreendimento da Posco no país, foi vendida em 2023 para a ArcelorMittal por US$ 2,2 bilhões. Representantes dos credores afirmam que a empresa brasileira teria remetido recursos ao exterior durante a execução do projeto e encerrado suas atividades deixando prejuízos em cadeia, inclusive com o fechamento de outras empresas no Ceará.

A administradora judicial nomeada no processo atribuiu a falência a fatores como aumento de custos, recessão econômica, ausência de novos contratos, crise no setor siderúrgico e os impactos da pandemia. Os credores discordam dessa versão e defendem a anulação do pedido de autofalência, alegando que a empresa foi criada exclusivamente para a obra da CSP e que não há justificativa econômica para o não pagamento das dívidas após o recebimento integral do contrato.

*Com informações do UOL