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Fiscalização

Conselho de Farmácia identifica irregularidades na UPA Potengi após morte de paciente de 19 anos

Conselho afirma que relatório é inicial e que análise técnica e ética ainda está em andamento
Redação
15/01/2026 | 18:06

A fiscalização realizada pelo Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Norte (CRF-RN) na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) do bairro Potengi, em Natal, identificou irregularidades no processo de dispensação de medicamentos após a morte da paciente Gabriely Barbosa de Melo, de 19 anos, ocorrida em dezembro de 2025.

A inspeção foi feita no dia 19 de dezembro e constatou falhas operacionais e assistenciais no serviço de farmácia da unidade.

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UPA Potengi, na Zona Norte de Natal, passou por fiscalização após caso de erro na dispensação de medicamento - Foto: José Aldenir/Agora RN

Gabriely procurou a UPA Potengi no dia 17 de dezembro relatando sintomas gripais persistentes havia cerca de 30 dias, incluindo tosse contínua. Após avaliação, a médica de plantão prescreveu um expectorante e o corticoide succinato sódico de hidrocortisona.

Segundo apuração do portal AGORA RN, após a consulta, a jovem recebeu por via intravenosa três ampolas de succinilcolina, um relaxante muscular de ação ultrarrápida indicado para anestesia e procedimentos como intubação e cirurgias, e não para tratamento de quadros gripais.

De acordo com a apuração, a falha teve origem na farmácia da UPA, onde um profissional teria entregue a medicação incorreta. A técnica de enfermagem responsável pela administração não teria realizado a conferência adequada antes da aplicação. Pouco tempo após a injeção, Gabriely apresentou sinais de anestesia e sofreu uma parada cardíaca.

Ela foi reanimada por cerca de 20 minutos, intubada e transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Rio Grande, onde morreu. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal, a causa do óbito foi “choque decorrente de infecção severa” (sepse).

Em nota, o CRF-RN informou que o relatório técnico elaborado após a fiscalização apontou indícios de não conformidade nas condições de funcionamento do serviço farmacêutico e nos procedimentos adotados na dispensação de medicamentos. O conselho ressaltou que os fatos ainda estão em fase de apreciação e análise, sem conclusões definitivas quanto às responsabilidades individuais ou institucionais.

O CRF-RN esclareceu que o relatório tem caráter inicial e subsidiará uma análise mais aprofundada, de natureza técnica e ética, com observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Somente após a conclusão dessa etapa poderão ser identificadas eventuais responsabilidades e adotadas as medidas cabíveis dentro das competências legais do órgão.

“O CRF-RN reafirma seu compromisso com a segurança do paciente, com o exercício ético e responsável da profissão farmacêutica e com a transparência de suas ações, mantendo a sociedade informada à medida que os desdobramentos técnicos e institucionais forem formalmente concluídos”, afirmou o presidente do conselho, Joselito Rangel.

A Secretaria Municipal de Saúde informou que instaurou uma sindicância administrativa, em fase de instrução, com coleta de depoimentos e análise de relatórios técnicos e administrativos. A pasta afirmou que presta “apoio integral à família, como ocorreu desde o primeiro dia”, e que somente após a conclusão da apuração será deliberada a eventual abertura de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), conforme a legislação vigente.

A SMS informou ainda que dois servidores diretamente envolvidos no atendimento foram afastados cautelarmente das atividades assistenciais. Segundo a secretaria, o afastamento permanecerá pelo tempo necessário à apuração dos fatos, e outros profissionais poderão ser convocados para prestar esclarecimentos. A análise sobre possíveis falhas em protocolos assistenciais ou de segurança do paciente integra a sindicância, que ainda não tem conclusão administrativa.