Criado em julho do ano passado, o Conselho Municipal da Juventude de Natal enfrenta uma série de desafios, entre eles a demanda pelo primeiro emprego, saúde mental e desigualdades sociais. Para o presidente do órgão, o gestor de políticas públicas Luiz Fellipe Luz, o conselho surgiu de uma demanda histórica dos próprios jovens da cidade por mais espaço de participação nas decisões públicas.
“A criação do conselho nasce desse encontro entre a reivindicação da sociedade civil e a iniciativa do poder público, com o objetivo de garantir um espaço permanente de escuta, participação e construção conjunta de políticas voltadas à juventude de Natal”, disse.

O Conselho é composto por 20 membros titulares e seus respectivos suplentes, sendo 10 representantes do poder público e 10 da sociedade civil. Esses últimos foram eleitos durante o 1° Encontro Municipal de Juventude, realizado em novembro de 2025, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) Central.
Segundo o presidente do órgão, a intenção é atuar em diferentes áreas da vida desses jovens. Ele destaca principalmente a questão da empregabilidade, o acesso desigual à educação de qualidade e os impactos da violência no dia a dia. A saúde mental, segundo Luiz Fellipe, também é um ponto que merece atenção.
“A saúde mental da juventude tem se consolidado como uma das principais preocupações em Natal, sendo percebida pelo conselho como um fenômeno crescente e diretamente ligado às condições sociais enfrentadas pelos jovens”, pontuou.
Para ele, o aumento significativo na busca por atendimentos psicológicos reflete um cenário de sofrimento psíquico ampliado, marcado por fatores como desemprego, violência, evasão escolar e desigualdades, que impactam diretamente o bem-estar emocional. Ele pondera que, apesar de existir uma rede de atenção voltada para o cuidado à saúde mental, alguns fatores como a dificuldade de acesso, a capacidade de atendimento e o estigma ainda representam desafios.
“Diante disso, o conselho compreende a saúde mental como uma pauta transversal, que exige políticas públicas integradas, ampliação da rede de cuidado e, sobretudo, a escuta ativa e o protagonismo da juventude na construção de soluções”, afirmou.
Muitos desses jovens vivem em situação de vulnerabilidade. Para o presidente do Conselho, é necessário garantir a participação desse público por meio de estratégias que buscam ampliar o acesso e reduzir desigualdades, como a descentralização das ações, levando atividades e escutas para as mais variadas localidades.
Já em relação ao acesso a oportunidades de emprego e estudo, ele reconhece que são desafios importantes. De acordo com ele, apesar de existirem mais vagas e caminhos de formação, muitos jovens ainda esbarram na dificuldade de concluir os estudos com qualidade e na falta de experiência exigida pelo mercado de trabalho, especialmente no primeiro emprego.
“Nesse cenário, iniciativas como o Projeta Jovem Natal e o Aprova Natal, que são ações da Prefeitura Municipal de Natal, surgem como exemplos importantes de políticas públicas que ampliam oportunidades, oferecendo qualificação, apoio educacional e incentivo ao desenvolvimento dos jovens”, afirmou.
Os jovens interessados em acompanhar as ações do Conselho podem acessar as redes sociais do órgão (@juventudenatal_), além de participar de reuniões abertas e procurar canais institucionais, onde são divulgadas pautas, projetos e oportunidades.