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Sem folia
Com o cancelamento do carnaval de Natal 2022, artistas cobram medidas do poder público
Natal seguiu o rumo que Rio de Janeiro, Recife e Salvador tomou devido aos avanços das síndromes virais
Redação
22/02/2022 | 11:57

Com a retomada dos eventos após um longo período do setor praticamente parado devido à pandemia da Covid-19, muito se questionou sobre como seria o Carnaval em 2022. Porém, uma nova onda de quadros virais frustrou as expectativas. Grandes cidades como Salvador, Rio de Janeiro e Recife cancelaram suas celebrações e Natal seguiu o mesmo rumo. A Prefeitura da capital potiguar justificou a medida com base nas recomendações do Comitê Científico e técnicos da Secretaria Municipal de Saúde. A situação é delicada e outra questão chama atenção: sem festas, a classe artística tem mais dificuldade para conseguir trabalho.

“Já havia uma expectativa de cancelamento do Carnaval. Se considerarmos que as capitais do Nordeste todas já haviam cancelado, Natal estava ‘ilhada’ nesta decisão. Depois da avaliação epidemiológica, o Comitê Científico chancelou esse cancelamento e comunicou ao prefeito. Quando fomos informados, acolhemos a medida que já estava em um ambiente provável. Não foi tão impactante neste sentido. Mas, é evidente que a gente sabe das consequências econômicas e do ponto de vista da movimentação da cadeia produtiva, artisticamente falando, o quanto ela, novamente, fica engessada com essa situação”, disse o secretário municipal de cultura Dácio Galvão.

Apesar do cancelamento do Carnaval de rua, será permitido a realização de eventos privados. Com isso, a expectativa é que vários blocos continuem fazendo mobilização na cidade. Ao Agora RN, a Secretaria Municipal de Cultura e Arte (Secult) informou que não haverá edição online.

A vereadora Brisa Bracchi (PT-RN) é uma das parlamentares que têm emitido opiniões sobre o tema. “Enfrentar a pandemia de forma segura exige medidas responsáveis, mas suspender a programação do Carnaval 2022 sem uma política para o setor cultural, enquanto se flexibiliza medidas de biossegurança para o comércio, por exemplo, é um desrespeito com a classe que vem sofrendo sem poder trabalhar desde o início da pandemia”, disse. Desde antes do recesso legislativo, a política tem discutido sobre o tema. “Discutimos com o setor os impactos que a pandemia tem causado na cultura de Natal e como o cancelamento do Carnaval, sem atenção da Prefeitura para o setor, tem afetado todos os trabalhadores e trabalhadoras”, disse.

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Vereadora Brisa Bracchi tem discutido sobre o tema. Foto: Luana Tayze.

Visão dos artistas

Uma das artistas que se apresentam no carnaval é a cantora Laryssa Costa. Ela taxou a decisão como contraditória. “Embora faça parte da categoria que tem o Carnaval como importante fonte de renda e tenha saído prejudicada, achei essa decisão contraditória e nada justa. Estamos sim melhorando com a vacina, porém não estamos livres, nem tampouco a pandemia acabou. Que adianta cancelar os eventos públicos e manter os privados? Que política absurda e desigual é esta? Me parece a glamourização e camarotização do Carnaval, manifestação esta que é puramente popular”, comentou.

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Laryssa Costa vê medida como “contraditória”. Foto: Marcio Franco.

O músico Yrahn Barreto defendeu a discussão de políticas públicas que apoiem o setor cultural afetado com o cancelamento. “Acho que a decisão foi prudente, porém se faz necessário uma política pública que contemple de forma democrática toda uma cadeia produtiva da economia criativa, não só da capital, mas como de todo estado, que ficará mais um ano sem trabalho no Carnaval”, disse o artista. Segundo ele, há propostas sendo discutidas para trazer um alívio para quem trabalha nesta área. “Estamos aguardando a aprovação da lei Paulo Gustavo, espero que possa ser aprovada, pois sinto que será um respiro para os artistas e para todos que fazem parte dessa economia criativa. Fala-se que poderá ser recebido até R$ 70 milhões para serem investidos na área de cultura via editais, segundo a deputada federal Natália Bonavides”, complementa.

Na avaliação do cantor Isaque Galvão, o poder público precisa ter uma visão melhor para os trabalhadores da área artística. “Teremos uma catástrofe para os artistas e trabalhadores do entretenimento. Deve-se lembrar que todos tem família, filhos pequenos, idosos e dependem do Carnaval para viver. Que o governo olhe para nós e não nos deixe sofrer mais uma vez”, comentou.

Lei Paulo Gustavo

Segundo publicou a vereadora Natália Bonavides (PT-RN) em seu twitter, a Lei Paulo Gustavo deve ser votada ainda essa semana. O projeto prevê a liberação de recursos para diminuir os impactos da pandemia no setor cultural.

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Natália Bonavides cobra aprovação da Lei Paulo Gustavo. Foto: José Aldenir/Agora RN.

Segundo a Agência de Notícias da Câmara, a proposta segue as diretrizes da Lei Aldir Blanc de fomento ao setor e libera R$ 3 bilhões do Fundo Nacional de Cultura (FNC) para ações emergenciais de apoio a produções audiovisuais, salas de cinema, cineclubes, mostras, festivais e ações de capacitação.

“Seguimos na luta ampliando as mobilizações pela aprovação do projeto!”, escreveu Natália.

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