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Cultura

Com duas décadas de existência, Festival DoSol continua atraindo apaixonados por diversos ritmos musicais

Festival completou 20 anos em 2021 e próxima edição tem previsão para rolar em novembro de 22
Agora RN
08/01/2022 | 10:54

O Festival DoSol comemorou, em 2021, 20 anos de existência na capital potiguar. Forte em todo o Nordeste, o DoSol atrai centenas de ouvintes apaixonados pelos diferentes ritmos apresentados durante os dias de festival. As duas décadas de música compõem a tradicionalidade do evento que, mesmo consolidado, soube se reinventar ao longo do tempo para continuar no gosto dos potiguares e turistas.

Reinvenção essa que foi extremamente necessária durante os meses de pandemia. Sem aglomerações possíveis, o DoSol migrou para o ambiente virtual e focou em lives, além de promover o lançamento de diversos novos artistas através do selo musical dentro do combo cultural.

Com duas décadas de existência, Festival DoSol continua atraindo apaixonados por diversos ritmos musicais
Festival DoSol em 2019 — Foto: Chris Machado/Divulgação

Em dezembro do ano passado, houve o “aquecimento” do festival na Casa da Ribeira, reunindo 12 atrações que gravaram apresentações para serem exibidas de forma online – exibição essa que começou na última quinta- -feira 6 e segue até domingo 9. As transmissões dos shows são feitas no canal do YouTube do DoSol (youtube.com/dosoltv). Nos próximos sábados 15, 22 e 29 acontece o Jardim DoSol, com shows presenciais no pátio da Capitania das Artes, na Cidade Alta. Os ingressos, aliás, já estão esgotados.

O DoSol é fruto da visão e do trabalho dos produtores Anderson Foca e Ana Morena, que também integram projetos musicais na capital potiguar. “Em 2001, éramos um selo. Em 2005, tivemos nossa grande edição ocupando o largo da rua Chile. O ‘Circuito Cultural Ribeira’ também foi emblemático, muitos momentos emocionantes nesses 20 anos da nossa história”, relembrou Foca. Ele conversou com a Cultue e falou sobre os próximos eventos. Confira:

Cultue – Depois de uns anos, o festival acabou saindo da Ribeira. Como foi esse processo?
Anderson Foca – A gente saiu de lá porque estruturalmente a Ribeira não aguentava o festival, o espaço era pequeno e havia alguns problemas. São fases, o DoSol ocupou o Centro Histórico enquanto era para ocupar. Mas agora, nessa ação de janeiro, estamos voltando para a Ribeira [Capitania das Artes] e vai ser massa!

Cultue – O festival tem a marca de levar artistas estreantes para as apresentações. É importante abrir esse espaço?
Anderson Foca – O DoSol se alimenta dessas novidades e transformações. Desde 2011, além do selo, temos uma incubadora de artistas e eles usam o template do festival para se lançar. É uma plataforma. A música nova nos interessa e é para isso que existimos, para não deixar que a música morra, apostando na renovação e na memória. 2021, inclusive, foi nosso melhor ano de lançamentos: mais de 60. O disco de Eliano, por exemplo, foi feito de forma completamente remota.

Cultue – Em 2020 e 2021, não houve festival com a presença do grande público. Como foi migrar para o ambiente online? Acredita que o festival conseguiu crescer ainda mais nas redes sociais, por exemplo?
Anderson Foca – Quando veio a pandemia, a gente já tinha uma ação digital grande.
Nosso canal no YouTube é de 2008. Em todas as redes sociais, temos quase 100 mil pessoas inscritas. Eu, pessoalmente, não gostei de fazer lives. Acho que o público é parte principal das nossas ações. Não via a hora de reunir o público de novo, mesmo sabendo que ainda vivemos uma pandemia. A Covid não vai embora e precisaremos conviver, sabendo como lidar em cada momento. Não foi uma adaptação fácil ficar no digital, mas necessária. Foi legal, foram 4 DoSol online. Ficou conteúdo e história desse período.

Cultue – Como produtor cultural, qual foi o impacto da pandemia para você? Você acredita que a arte se provou primordial para a sociedade?
Anderson Foca – A cultura foi primordial para a população enfrentar o isolamento. Tem um papel social grande e, nos últimos tempos, percebemos o valor econômico da cultura. Foi um baque econômico ficar sem show, sem teatro, sem cinema e sem ter o convívio social, o que gera muito emprego e renda. Foi um impacto ruim mas que serviu para fortalecimento, e para entendermos a nossa importância. Ainda bem que conseguimos ficar de pé depois de tanto tempo sem atuar presencialmente.

Cultue – No fim de 2021, houve uma programação de aquecimento. Agora, até o dia 9 de janeiro, os shows gravados serão exibidos no canal do YouTube do DoSol. O que podemos esperar do repertório?
Anderson Foca – Os shows da Casa da Ribeira foram bonitos. Tivemos 12 shows, como o primeiro show do grupo Retrovisor em 15 anos, show de 10 anos do Talma e Gadelha, bandas e artistas de estreia.

Cultue – Em janeiro, teremos programação presencial no Jardim DoSol, no pátio externo da Capitania das Artes. Serão shows de artistas locais e artistas de fora, como Marina Sena, que está fazendo enorme sucesso online. Como foi definida a programação?
Anderson Foca – Essa foi uma das decisões mais difíceis da história do DoSol. Em outubro passado, definimos que teríamos que começar ali a pensar em algo presencial. Recortamos com a Funcarte um espaço completamente amplo, que é a coisa mais prudente a se fazer agora. Queríamos um line-up festivo, porque as pessoas ficaram sem essa experiência por muito tempo. Diminuir o número de pessoas por dia e fazer mais dias de shows foi uma solução. Só temos Marina Sena de fora do Nordeste, para que nós possamos recuperar esse impacto econômico.

Cultue – O coletivo Ferve, aliás, também se apresentará no DoSol e você faz parte do grupo. Como você define o som?
Anderson Foca – Ferve é um coletivo de produtores de Natal e João Pessoa. Temos uma pesquisa da música do Nordeste misturada com a latina, como o merengue e a cúmbia. Já temos mais de 10 músicas disponíveis nas plataformas digitais e já começamos a fazer shows no RN, PI, PB e CE. Nosso show no DoSol será com participação da Bixarte, artista paraibana. É um projeto novo que já nasce com a experiência dos participantes.

Cultue – Como o DoSol lança artistas potiguares, você considera que o trabalho auxilia na formação de uma identidade local?
Anderson Foca – O DoSol ajuda na construção dessa identidade, que é formada pelo nosso dia a dia. Estamos nos entendendo, somos uma cena há muito tempo porque a música potiguar não vive de outros estados. Temos artistas próprios para exportar, então estamos em um ótimo momento. Estávamos bombando antes da pandemia e acho que vamos bombar ainda mais agora.

Cultue – Ana Morena, também fundadora e produtora do DoSol, foi eleita pela WME Awards como profissional do ano de 2021. Como é ver uma parceira, artista mulher da cena do RN, sendo reconhecida nacionalmente?
Anderson Foca – Alegria demais. Ela também foi eleita presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes (ABRAFIN) em maio e agora ganhou esse prêmio, que é importante demais para as mulheres. É uma espécie de ‘eu já sabia’. Orgulho em saber que nossa produção tem condição de ser tão boa quanto qualquer uma do mundo. Somos locais, mas somos do mundo: o que é bom aqui, é bom em Nova Iorque, em Barcelona, em São Paulo… Ana Morena está há 20 anos à frente do DoSol, merece isso e muito mais!

Cultue – Quais são os planos para o futuro breve e a longo prazo do DoSol?
Anderson Foca – Queremos manter o lançamento de artistas no selo. O DoSol 2022 está previsto para acontecer em novembro. O ‘Bloco da Greiosa’ acontecerá nos domingos de fevereiro.