BUSCAR
BUSCAR
CNPJ

CNPJ com letras exige ajuste das empresas

Mudança amplia capacidade de registros, mas empresas precisam atualizar plataformas para evitar falhas
Por O Correio de Hoje
30/07/2026 | 16:26

A implantação do primeiro Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) em formato alfanumérico, prevista pela Receita Federal para esta quinta-feira 30, inaugura uma das maiores mudanças cadastrais desde a criação do registro das empresas brasileiras. Embora não altere regras tributárias nem exija qualquer recadastramento, a novidade impõe uma corrida de adaptação tecnológica entre empresas, desenvolvedores de software e fornecedores de sistemas de gestão.

No Rio Grande do Norte, entidades empresariais orientam os empreendedores a verificar imediatamente se plataformas de emissão de notas fiscais, sistemas de gestão, bancos, adquirentes de cartão e aplicativos de delivery estão preparados para reconhecer os novos identificadores.

capa portal 2026 07 30T162526.034
Receita inicia novo modelo nesta quinta-feira, 30, para novas empresas - Foto: reprodução / internet

A mudança decorre da Instrução Normativa RFB nº 2.229/2024, que alterou as regras do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica para ampliar a capacidade de geração de novas inscrições. O novo formato preserva as 14 posições do CNPJ e mantém numéricos os dois dígitos verificadores finais, mas permite a utilização de letras e números nas 12 primeiras posições.

A medida foi adotada diante do esgotamento gradual das combinações disponíveis no modelo exclusivamente numérico e será aplicada apenas às novas inscrições realizadas a partir da implantação. Empresas que já possuem CNPJ continuarão utilizando seus números atuais, sem necessidade de substituição ou qualquer procedimento cadastral.

Apesar da simplicidade para o contribuinte, a transição exige mudanças relevantes na infraestrutura tecnológica utilizada pelas empresas. Desde a entrada em produção dos novos sistemas da Receita Federal, em 27 de julho, aplicações incompatíveis com o formato alfanumérico podem apresentar falhas ao consumir serviços do Fisco.

Entre os problemas apontados pelo órgão estão erros de validação, inconsistências na transmissão de arquivos, dificuldades na importação de documentos fiscais eletrônicos e rejeições em ambientes autorizadores quando as regras técnicas exigirem compatibilidade com o novo padrão.

No Rio Grande do Norte, onde milhares de pequenas e médias empresas dependem de plataformas integradas para emissão de documentos fiscais e controle operacional, o impacto tende a ser predominantemente tecnológico. Para o setor de alimentação fora do lar, um dos principais empregadores do Estado e diretamente ligado à atividade turística, a orientação é revisar todos os sistemas que utilizam CNPJ como identificador de clientes, fornecedores e parceiros comerciais.

Segundo Luiz Henrique do Amaral, advogado e consultor jurídico da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o desafio não está na legislação tributária, mas na preparação dos sistemas utilizados pelas empresas. “O novo formato não cria tributos nem altera sua forma de apuração. O desafio está na adaptação dos sistemas utilizados pelas empresas. Quem não verificar essa compatibilidade pode enfrentar dificuldades em cadastros, na emissão e no recebimento de documentos fiscais e na comunicação com os serviços da Receita Federal.”

Na prática, a recomendação da entidade é que empresários confirmem com fornecedores de softwares de gestão empresarial (ERP), sistemas de ponto de venda (PDV), emissores de NF-e, NFC-e e NFS-e e demais plataformas utilizadas no dia a dia se todas as soluções já conseguem armazenar, validar, transmitir e consultar CNPJs tanto no formato numérico quanto no alfanumérico.

A adaptação também alcança processos internos pouco perceptíveis para o usuário final. A Abrasel recomenda que sejam realizados testes na geração e importação de arquivos XML, na escrituração de documentos fiscais, nos módulos de compras, estoque, contas a pagar e contabilidade, além das integrações entre fornecedores, clientes e filiais.

Instituições financeiras, operadoras de cartão, plataformas de delivery e outros parceiros tecnológicos também precisam estar preparados para receber os novos registros sem interrupções operacionais.

A Receita Federal reforça que não haverá alteração automática dos CNPJs existentes nem necessidade de atualização cadastral. O novo modelo coexistirá com o atual durante muitos anos, o que significa que empresas antigas continuarão utilizando números exclusivamente numéricos enquanto passarão a receber notas fiscais, contratos e documentos emitidos por organizações já cadastradas no novo padrão. Essa convivência entre os dois formatos torna indispensável que todos os sistemas consigam reconhecer ambas as estruturas simultaneamente.