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História
Charlie Watts: Como um baterista de jazz entrou para os Rolling Stones e se tornou fundamental
Em 2022, todo o universo da música pop vai celebrar os 60 anos de atividades dos Rolling Stones
O Globo
25/08/2021 | 10:20

Charlie Watts era um designer gráfico que, nas horas vagas, tocava numa banda chamada Blues Incorporated e se apresentava regularmente em casas dedicadas ao som do rhythm & blues, em Londres, no Reino Unido. Foi numa noite em meados de 1962 que os jovens Mick Jagger, Keith Richards e Brian Jones ouviram o baterista e o convidaram para entrar em seu grupo, os ainda desconhecidos Rolling Stones. Mas meses se passaram até que, enfim, Watts aceitasse se juntar àquela que se tornaria a maior banda de rock do mundo.

Em 2022, todo o universo da música pop vai celebrar os 60 anos de atividades dos Rolling Stones. Mas o próprio Richards já disse, em entrevistas, que os membros do grupo contam o início de sua trajetória a partir de janeiro de 1963, quando Watts entrou no barco. A primeira aparição do ritmista no palco ao lado seus então novos colegas aconteceu em fevereiro daquele mesmo ano.

Elemento fundamental no sucesso dos Stones, Watts se tornou um dos mais cultuados bateristas de rock da História. Seu estilo sincopado e objetivo, pilotando um instrumento de poucas peças, oferecia o assoalho ideal para Jagger e Richards jogarem toda sua intensidade. Até mesmo a postura no palco, mantendo sempre a expressão e o corpo relaxados, passou a ser uma referência. Enquanto os colegas aprontavam todas e empolgavam o público, o baterista se mantinha tranquilo, como se tudo aquilo não passasse de uma grande piada cósmica.

 

Charlie Watts tocando num show dos Rolling Stones no Texas, em 2019

Filho de um caminhoneiro e uma dona de casa, Watts ganhou sua primeira bateria aos 15 anos e passou a juventude ouvindo e tocando jazz. No início de 1962, ele topou o convite do pioneiro do blues britânico Alexis Korner para a integrar a Blues Incorporated, que, aliás, já tinha contado com a participação de Jagger em alguns shows. Todos os stones eram viciados na black music americana. Suas referências eram gênios como Muddy Waters, Chuck Berry e Willie Dixon. Portanto, fazia muito sentido para Watts se imaginar numa banda de rock calcada no blues.

O primeiro show com o novo baterista aconteceu no Ealing Blues Club, num line up de seis músicos que incluía Jagger, Jones, Richards e Watts, além de Bill Wyman e Ian Stewart. Desses todos, metade já fez a passagem para outro mundo (Jones foi encontrado morto na piscina da sua mansão, em 1969, Stewart faleceu em 1985 e Watts partiu nesta terça-feira, aos 80 anos, de causa ainda não divulgada). O primeiro single da banda foi lançado em junho de 1963. Era um cover da música “Come on”, do guitarrista americano Chuck Berry.

Passado o frenesi da fama inicial dos Stones nos anos 60, o baterista retomou sua paixão por gêneros fora do rock n’ roll, apresentando-se com projetos paralelos ao incensado grupo. Em 1977, ele e Stewart integraram a banda Rocket 88, que resgatava as raízes do boogie-woogie. Na década de 80, ele fez turnês com uma big band e, em 1991, o britânico realizou um sonnho ao formar o Charlie Watts Quintet, que começou como um tributo ao gênio saxofonista Charlie Parker. Em 1992, antes mesmo de os Rolling Stones fazerem um show no Brasil, ele trouxe sua banda ao Rio para fazer uma apresenção no Canecão, em maio daquele ano.

– Gosto de fazer o que me dá prazer, me divirto tocando nos Stones e no quinteto e não estabeleço diferenças qualitativas entre rock e jazz – disse Watts, em tom entediado, durante uma coletiva de imprensa antes do show. – Toco de uma maneira fora de moda. Não trato o instrumento como se fosse uma máquina, como muitos bateristas fazem hoje em dia.

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