A Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) entrou com uma ação na Justiça Federal contra o vereador de Natal Matheus Faustino (União), alegando que o parlamentar divulgou “fake news” em publicações sobre a Linha Roxa, obra ferroviária ainda inoperante. A empresa pede a retirada de dois vídeos das redes sociais, multa diária em caso de descumprimento e indenização de R$ 50 mil por dano moral. A ação também solicita retratação pública em vídeo.
Nos conteúdos publicados, Faustino denuncia obra paralisada e sugere possível desvio de recursos, afirmando que o investimento de aproximadamente R$ 18 milhões “pode ter sido desviado”. A CBTU afirma que as declarações mancham a “honra” da empresa e que o vereador “insinua, de forma leviana, que ‘sobrou dinheiro no bolso de alguém’”. Segundo a companhia, as falas são infundadas e têm caráter difamatório.

A CBTU sustenta que o trecho executado da Linha Roxa foi entregue conforme o contrato original e que não houve interrupção da obra prevista. Afirma ainda que respondeu aos pedidos oficiais de informação feitos pelo vereador por meio da plataforma Fala.BR e que a alegação de falta de transparência é falsa. A empresa anexou documentos ao processo para demonstrar que pedidos foram respondidos dentro do prazo legal.
Faustino nega ter divulgado informações falsas e afirma que apenas exerceu seu papel fiscalizador. “Venho fiscalizando a CBTU de maneira intensa já há algum tempo. Já teve obra parada que, coincidentemente, após uma fiscalização minha, voltou a funcionar.”
O vereador acrescenta que a própria CBTU reconhece atrasos: “Eles dizem que eu minto, mas reconhecem por escrito que havia atraso e problema grave na execução. A realidade desmente a narrativa. Querem me intimidar com essa história de multa de R$ 50 mil, mas não conseguirão. Vou continuar fiscalizando e denunciando, tudo dentro da lei.”
Nos vídeos, Faustino mostra estruturas inacabadas e cobrança por esclarecimentos da deputada federal Natália Bonavides (PT), da governadora Fátima Bezerra (PT) e da própria CBTU. Em outra publicação, afirma ter sido impedido de entrar na sede da companhia: “Fui barrado na CBTU. O povo está do lado de fora esperando transporte, enquanto obras paradas e vagões quebrados consomem milhões.”
O processo também aborda obras anunciadas em 2023 e 2024, como novas estações nos bairros de Soledade, Santa Catarina, Quintas, Cidade da Esperança e Potengi. A previsão inicial era concluir os serviços até julho de 2025, mas o vereador afirma que encontrou “abandono” nos canteiros. A CBTU, no entanto, afirma que rescindiu contrato com a primeira empresa por atraso e contratou nova executora em 2025, dentro dos trâmites legais. O caso segue em análise na 5ª Vara Federal do Rio Grande do Norte.
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