O número de cirurgias bariátricas registrou uma queda após a popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”. A avaliação foi feita pelo cirurgião do aparelho digestivo Tiago Diniz durante entrevista ao programa Meio-Dia na Mix, da Mix FM. “O número absoluto de cirurgias bariátricas teve uma queda importante por causa das famosas canetas emagrecedoras”, afirmou o médico.
Segundo Tiago Diniz, apesar da redução na procura pela cirurgia, a obesidade continua sendo uma doença grave e crônica, que exige acompanhamento contínuo e mudança de hábitos. “A gente está falando de uma doença grave, de potencial letal. A obesidade é uma doença crônica. Você não consegue curar ela, você controla”, disse.

O médico explicou que os medicamentos apresentam melhores resultados em casos menos avançados da doença, enquanto pacientes com obesidade severa frequentemente necessitam de outros tratamentos. “O uso das canetas ajuda em diversos graus de obesidade, mas principalmente em graus menos avançados da doença”, afirmou.
Ele destacou que há casos em que as medicações não conseguem tratar a obesidade de maneira global. “A gente tem obesidade mais severa, associada a múltiplas doenças, pacientes com 200 quilos, que a gente sabe que as canetas não vão ter capacidade de tratar a obesidade de uma maneira global”, declarou.
Tiago Diniz alertou para o chamado “efeito rebote” em pacientes que utilizam as medicações sem mudança nos hábitos de vida. “O obeso que faz uso das injeções e não tem uma mudança nos hábitos de vida, dieta, exercício físico, e para de usar a caneta, ele vai voltar a engordar”, disse.
Segundo o médico, a obesidade precisa ser tratada de forma contínua e multidisciplinar. Tiago Diniz também chamou atenção para o uso indiscriminado das canetas emagrecedoras, principalmente por motivos estéticos e sem prescrição médica.
“O grande problema das canetas é o uso estético, o uso recreativo disso, sem acompanhamento médico, sem prescrição”, alertou. De acordo com ele, muitas pessoas utilizam a medicação apenas por influência de terceiros. O médico ressaltou que os medicamentos podem provocar efeitos colaterais e exigem avaliação individualizada.
“Existem efeitos colaterais. A medicação foi desenvolvida para tratar doenças. Precisa de um acompanhamento. Existem chances de sequelas, riscos de complicações”, disse. Tiago Diniz destacou ainda que ainda não existem estudos suficientes sobre os efeitos a longo prazo dessas medicações.
Segundo o especialista, um dos principais alertas está relacionado à perda de massa muscular durante o emagrecimento acelerado. “Do jeito que perde gordura, perde massa muscular. E a massa muscular, principalmente naquele paciente acima de 40 anos, acima de 50 anos, é uma massa muscular que vai ser difícil de recuperar a longo prazo”, explicou.
Ele afirmou que a redução do peso pode trazer melhora em indicadores metabólicos, como colesterol, glicemia e triglicerídeos, mas ressaltou que o tratamento precisa ser acompanhado. “Se você trata a obesidade, volta para uma faixa de peso normal, você controla o nível de glicemia, controla o nível de colesterol. Isso é bom para o paciente”, disse.
O médico também comentou que houve mudança de hábitos principalmente entre os mais jovens, com aumento da procura por atividades físicas e alimentação mais saudável. Tiago Diniz defendeu a medicina preventiva e a realização de exames periódicos.
Ao abordar saúde digestiva, o cirurgião apontou cigarro, álcool, açúcar e alimentos condimentados como fatores prejudiciais. Tiago Diniz também relacionou ansiedade e estresse a alterações no aparelho digestivo. “Muita gente responde certos níveis de estresse, de ansiedade, no intestino, com alterações do hábito intestinal, com gastrite, com diarreia”, afirmou.
Segundo ele, transtornos ansiosos podem contribuir para episódios de compulsão alimentar. “A compulsão alimentar, por exemplo, às vezes é uma válvula de escape para algum transtorno ansioso”, declarou.