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Indústria

Indústria do RN desacelera em abril, mas empresários mantêm expectativa de crescimento

Produção e emprego caem em abril, seguindo padrão sazonal, enquanto empresários projetam alta da demanda, exportações e investimentos
Por O Correio de Hoje
03/06/2026 | 13:25

A atividade industrial do Rio Grande do Norte registrou desaceleração em abril de 2026, acompanhada por queda no emprego e redução do nível de utilização da capacidade instalada. Apesar do desempenho mais fraco no período, empresários do setor mantêm expectativas positivas para os próximos meses, com projeções de aumento da demanda, das exportações e dos investimentos.

Os dados constam na Sondagem das Indústrias Extrativas e de Transformação do Rio Grande do Norte, elaborada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

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A evolução da produção, que em março atingiu alto patamar, voltou ao normal - Foto: Fiern

Segundo o levantamento, a produção industrial potiguar caiu na passagem de março para abril, movimento considerado habitual para o período. O indicador de evolução da produção recuou 20 pontos, passando de 60,6 para 40,6 pontos. Como o resultado ficou abaixo da linha divisória de 50 pontos, o índice sinaliza retração da atividade produtiva em relação ao mês anterior.

Na comparação com abril de 2025, o indicador também apresentou redução, passando de 45,0 para 40,6 pontos, uma queda de 4,4 pontos.

O enfraquecimento da atividade foi acompanhado pela redução do quadro de pessoal. O indicador de evolução do número de empregados ficou em 48,1 pontos, também abaixo da marca de 50 pontos, indicando retração na comparação mensal.

Outro sinal de desaceleração veio da Utilização da Capacidade Instalada (UCI), que caiu de 78% para 76%, uma redução de dois pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.

Os estoques de produtos finais também apresentaram recuo. O indicador ficou em 42,7 pontos, mostrando redução frente ao mês anterior. Além disso, o nível de estoques permaneceu abaixo do planejado pelas empresas, situação evidenciada pelo indicador de estoque efetivo em relação ao usual, que atingiu 46,9 pontos.

A análise por porte empresarial revela comportamentos distintos entre pequenas empresas e médias e grandes indústrias. Nas pequenas empresas, a produção e o emprego permaneceram estáveis em abril. O indicador de produção ficou exatamente em 50 pontos, limite que separa estabilidade de crescimento ou retração.

Já entre as médias e grandes empresas, o movimento foi mais intenso. O indicador de produção recuou para 37,5 pontos, ante 60 pontos registrados no levantamento anterior. No emprego, essas empresas também relataram redução do quadro de trabalhadores.

A situação dos estoques também variou conforme o porte. As pequenas indústrias apontaram estoques abaixo do planejado, enquanto as médias e grandes empresas indicaram níveis próximos ao programado.

Apesar da retração observada em abril, as expectativas para os próximos seis meses seguem favoráveis. Os empresários consultados projetam crescimento da demanda, com indicador de 54,7 pontos. Também são esperados aumentos nas compras de matérias-primas, que alcançaram 55,7 pontos, e nas exportações, cujo indicador atingiu 56,3 pontos.

A perspectiva para o emprego também permanece positiva. O índice de expectativa para o número de trabalhadores chegou a 53,8 pontos, sinalizando intenção de ampliar os quadros nos próximos meses.

O indicador de intenção de investimento reforça esse cenário. Em maio, o índice avançou de 70,7 para 72,8 pontos, ampliando o nível de confiança empresarial em relação à realização de novos aportes produtivos.

A pesquisa mostra, entretanto, diferenças importantes entre os portes empresariais. Enquanto as pequenas indústrias projetam queda da demanda nos próximos seis meses e estabilidade no emprego e nas compras de matérias-primas, as médias e grandes empresas esperam crescimento simultâneo da demanda, da contratação de trabalhadores e da aquisição de insumos.

Os resultados observados no Rio Grande do Norte convergem, em linhas gerais, com os dados nacionais divulgados pela CNI em 22 de maio. No conjunto da indústria brasileira, os indicadores também apontaram comportamento semelhante para produção e expectativas.

A principal diferença aparece na intenção de investimento. No cenário nacional, o indicador subiu de 53,7 para 54,8 pontos em maio, interrompendo uma sequência de quatro quedas consecutivas e registrando a primeira alta do ano. No Rio Grande do Norte, o indicador já se encontra em patamar significativamente superior ao observado no país.

A sondagem foi realizada entre os dias 4 e 13 de maio de 2026 e reúne informações das indústrias extrativas e de transformação instaladas no estado. Embora os números de abril apontem retração da atividade, o levantamento indica que o setor mantém perspectivas favoráveis para o segundo semestre, sustentadas pela expectativa de expansão da demanda, das exportações e dos investimentos.