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Ação Civil

Caicó: ação de improbidade tramita contra ex-prefeito Batata

MP aguarda a formalização de um acordo de não persecução civil, o que pode encerrar a ação de improbidade administrativa
Redação
22/08/2023 | 07:44

Tramita na 3ª Vara da Comarca de Caicó uma Ação Civil de Improbidade Administrativa impetrada pelo Ministério Público do RN (MPRN) contra o ex-prefeito da cidade, Robson de Araújo (mais conhecido como Batata), o ex-secretário de Tributação, Francisco de Assis Oliveira e a empresa Virtus Serviços e Consultoria LTDA.

Conforme o processo, o órgão ministerial pede a apuração de supostas irregularidades na inexigibilidade de licitação por parte da prefeitura do município que culminou na contratação, em meados de 2017, da empresa Virtus.

Prefeito de Caicó, Batata, em foto de arquivo; ex-prefeito é investigado. Foto: José Aldenir/Agora RN
Prefeito de Caicó, Batata, em foto de arquivo; ex-prefeito é investigado. Foto: José Aldenir/Agora RN

Atualmente, no entanto, o Parquet aguarda a formalização de um acordo de não persecução civil, o que pode encerrar a ação de improbidade administrativa e extinguir a punibilidade dos réus pelos supostos atos de improbidade cometidos.

Conforme noticiou o AGORA RN em matéria publicada no dia 25 do mês passado, o atual prefeito Dr. Tadeu afirmou que a gestão anterior à dele contratou, sem licitação, a empresa para a realização de um estudo de compensação previdenciária.

Em linhas gerais, o trabalho da empresa, conforme prometido, era compensar o município por valores previdenciários que incidem sobre pagamentos indevidos ao INSS.

De acordo com a ideia da compensação, a prefeitura deixaria de repassar as contribuições indevidas dos servidores à Previdência e depois seria compensada por tais valores.

O combinado era que a Virtus ajudaria o município de Caicó a receber um valor de aproximadamente R$ 25 milhões relativo a essas compensações. Em troca, cobraria um percentual desse montante.
No entanto, de acordo com o Dr. Tadeu, mesmo sem receber os valores relativos às compensações, o gestor anterior, Batata, autorizou o pagamento à empresa no valor de R$ 4 milhões.

Além disso, como os R$ 25 milhões não foram repassados pela gestão municipal devidamente ao INSS, a Prefeitura de Caicó acabou sendo inscrita na Dívida Ativa da União, com um débito da ordem de R$ 45,7 milhões com a Receita Federal relativo a contribuições previdenciárias sobre verbas de aposentadorias de servidores.

“A dívida eles fizeram no montante de R$ 25 milhões. Com multas e juros, na hora que a gente vai parcelar, vai para R$ 45 milhões e a possibilidade de parcelamento é de uma parcela de R$ 5 milhões e outras 59 parcelas de R$ 700 mil, o que praticamente inviabiliza o município do ponto de vista financeiro”, disse, à época, o prefeito Dr. Tadeu.

Proposta do MP pode pôr fim ao processo em Caicó

O Ministério Público do RN requereu ao juiz da 3ª Vara da Comarca de Caicó a suspensão do processo, sob a justificativa de que foram iniciadas as tratativas com os réus para fins de formalização de um acordo de não persecução cível.

“Deste modo, pugna o Parquet pela suspensão do presente feito, no afã de verificar a possibilidade da formalização do acordo de não persecução cível. Pede deferimento”, diz o requerimento ministerial.

A finalidade de um acordo de não persecução civil é impedir o início de uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa mediante a aceitação de algumas condições e aplicação de sanções aos agentes responsáveis pela prática dos supostos atos de improbidade.

A ideia é tornar mais célere e efetiva a reparação do dano que porventura tenha sido causado ao erário. O requerimento ainda aguarda deliberação do juiz.

Ex-prefeito de Caicó se defende

O ex-prefeito Batata afirmou, à época da publicação da matéria pelo AGORA RN, que a inscrição do município na Dívida Ativa da União se deu porque a gestão atual perdeu prazos administrativos essenciais para que a prefeitura conseguisse compensar os valores junto à Receita.

“A compensação foi feita quando eu estava na prefeitura, quando eu fui afastado continuou sendo feita, inclusive a compensação foi feita durante quatro meses da atual gestão. Foram R$ 29 milhões compensados, só que com os juros e multas por não ter recorrido da decisão, chega a R$ 45 milhões”, disse ao AGORA RN o ex-prefeito Batata.

Já a empresa Virtus disse, à época, que não houve irregularidades na contratação e explicou que seu trabalho consistiu na recuperação dos valores recolhidos de forma equivocada para a Receita Federal.