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Eleições

Samanda diz que suplências e vice do “time de Lula no RN” seguem em negociação

Presidente do PT afirma que definição de suplentes e vice ainda depende de negociação entre partidos aliados de Lula no RN
Por O Correio de Hoje
25/05/2026 | 16:50

A vereadora de Natal, presidente estadual do PT e pré-candidata ao Senado Samanda Alves (PT) afirmou que as suplências das chapas ao Senado e a vaga de vice-governador na composição do chamado “time de Lula no RN” ainda seguem em discussão dentro do bloco de partidos que apoia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Rio Grande do Norte.

A declaração recoloca pressão sobre o desenho anunciado pelo PDT, que apresentou Rafael Motta (PDT) como pré-candidato ao Senado e Jean Paul Prates (PDT) como primeiro suplente.

Samanda foto Francisco de Assis CMN
Vereadora Samanda Alves (PT), pré-candidata ao Senado - Foto: Francisco de Assis / CMN

Em entrevista à TV Ponta Negra, Samanda disse que o grupo governista já tem três nomes postos na majoritária: Cadu Xavier (PT) como pré-candidato ao Governo do Estado, ela própria como pré-candidata ao Senado e Rafael Motta como segundo nome para a disputa ao Senado. Segundo ela, porém, a composição ainda não está completamente fechada.

“Nós continuamos nos diálogos, conversando coletivamente com esses partidos para definir o nome para vice-governador ou vice-governadora e também para as suplências”, afirmou.

A fala é relevante porque contrasta com a posição pública de Jean Paul Prates, que vem sustentando que a primeira suplência de Rafael Motta já pertence ao PDT. Em entrevista recente ao programa Contraponto, da 96 FM, o ex-senador reagiu às articulações para reabrir a discussão e afirmou que o partido é autônomo, não integra federação e entrou na aliança governista com uma composição própria: Rafael como candidato ao Senado e ele, Jean Paul, como primeiro suplente.

“O PDT tem uma definição. O PDT é um partido autônomo. É um partido que não está na federação”, disse Jean Paul na ocasião.

A declaração de Samanda, porém, reforça a leitura de que os partidos aliados ainda tratam as suplências como parte da negociação coletiva da majoritária. Ao ser perguntada diretamente sobre quem seriam seus suplentes, a presidente estadual do PT evitou cravar nomes e afirmou que a decisão não será individual.

“Essa discussão está sendo feita nesse coletivo de partidos. A gente tem essa tradição de construir ouvindo outros grupos. Não dá para ser o meu pré-candidato, o meu suplente preferencial, sem ouvir aqueles que estão construindo esse palanque conosco”, declarou.

O “time de Lula no RN” reúne a federação formada por PT, PV e PCdoB, além dos partidos PSB e PDT. Além disso, há tratativas com as federações PSDB-Cidadania e Psol-Rede. Samanda citou essas legendas ao explicar que a chapa ainda passa por uma fase de acomodação política.

O impasse envolve mais do que as duas suplências de Samanda. Também atinge o entorno da candidatura de Rafael Motta. Embora o PDT tenha anunciado Jean Paul como primeiro suplente dentro de um modelo apresentado como “mandato compartilhado”, outras legendas da base querem espaço na composição.

O PV, por exemplo, também passou a reivindicar participação na majoritária. O presidente estadual do partido, Rivaldo Fernandes, afirmou que a suplência de Rafael está em aberto porque o PV segue a orientação do conjunto de partidos. A legenda apresentou o nome do professor Emmanuel Nunes, de Mossoró, como uma das opções para uma suplência.

“Nós queremos compor a majoritária. Nós não estamos impondo, não. Nós temos que participar”, disse Rivaldo em entrevista anterior à 96 FM.

O PSB também defende que as escolhas sigam em negociação. A presidente estadual da legenda, Larissa Rosado, já afirmou que a definição dos suplentes e da vice de Cadu Xavier continuará na pauta das próximas conversas entre os partidos da base.

A entrada eventual do PSDB é outro fator que mantém a composição aberta. O partido do presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, ainda não anunciou posição definitiva na eleição estadual de 2026, mas é tratado por setores do governismo como peça capaz de ampliar a chapa de Cadu Xavier. Nos bastidores, a legenda é observada tanto para a vaga de vice quanto para espaços nas suplências senatoriais.

Samanda procurou apresentar o processo como parte natural de uma construção coletiva. Ela disse que o palanque de Lula no Estado precisa envolver todos os partidos que participam da aliança e afirmou que a chapa deve rodar o Rio Grande do Norte defendendo o legado do presidente Lula e da governadora Fátima Bezerra (PT).

Segundo a pré-candidata, sua presença na disputa ao Senado representa a continuidade do projeto político de Fátima, que desistiu de disputar a vaga e decidiu permanecer no Governo do Estado até o fim do mandato. Samanda afirmou que recebeu a missão com “muita honra” e disse que sua pré-candidatura, embora recente, já percorre o Estado.

Ela também associou sua pré-campanha diretamente a Lula e Fátima. Questionada se o marketing eleitoral seguiria a linha de “Cadu de Lula”, Samanda respondeu: “Samanda de Lula e de Fátima”.

A presidente estadual do PT defendeu que a aliança assuma claramente seu lado político. Disse que o grupo governista representa o palanque de Lula no RN e fez uma crítica indireta a setores que tentam transitar entre campos distintos da política estadual e nacional.

“Nós temos lado. É o lado do presidente Lula, é o lado de Fátima e é o lado da maioria do povo do Rio Grande do Norte”, afirmou.