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Dengue

Bromélias apresentam baixa possibilidade de serem criadouros do Aedes aegypti

Moradores da Zona Leste de Natal temem proliferação, mas especialista explica que água das bromélias apresenta baixo risco
Carol Medeiros
17/06/2022 | 09:57

Em meio ao aumento de casos de dengue no Rio Grande do Norte, todo cuidado é pouco. Moradores da Zona Leste de Natal temem o risco de contaminação pelo mosquito Aedes aegypti, em decorrência da presença de um canteiro de bromélias que acumulam água.

Essa planta ornamental possui um estilo e formato das folhas com vários espécimes e conta com uma parte chamada de “tanque”, onde ficam armazenados os nutrientes e se acumula água parada. No entanto, segundo especialista ouvido pelo Agora RN, não são ambientes favoráveis para o Aedes aegypti.

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Canteiro na Zona Leste da capital potiguar tem plantação de bromélias, que acumulam água no “tanque”/Créditos: Mundo Ecologia

De acordo com o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e doutor em Botânica (taxonomia e morfologia de bromélias), Leonardo de Melo Versieux, é muito baixa a possibilidade das bromélias serem criadouros do mosquito Aedes aegypti. Isso porque, segundo ele, a bromélia é uma espécie americana, já o mosquito é de origem africana, assim ambos não evoluíram juntos.

Além disso, ele explica que o mosquito transmissor da dengue está propenso a se proliferar em água parada e limpa, já a água que fica na roseta das bromélias não é uma água limpa, possui algas, predadores do mosquito e até larvas de outros pernilongos. “Quando o mosquito da dengue tenta botar o ovo lá na bromélia, ele tem que competir com esses outros mosquitos e também essa água que é ácida, porque junta muita matéria orgânica”, descreveu.

No “tanque” da bromélia, o líquido acumulado é como uma “sopa nutritiva” com matéria orgânica que serve para a produção de seu próprio alimento. Isso foi essencial pois, segundo o professor, foi o que liberou a bromélia do solo, possibilitando o crescimento dela em outros lugares como em pedras ou galhos de árvores – não como plantas parasitas.

Muitas pesquisas são desenvolvidas sobre o assunto, inclusive na própria UFRN, e mostram que o risco do Aedes aegypti se desenvolver na bromélia é muito baixo. O professor alerta que essa planta cumpre muitas outras funções ecológicas, possuindo grande importância para vários organismos que só vivem dentro das bromélias.

“Temos que tomar cuidado quando falamos dessa questão, muitas prefeituras colocaram fogo em áreas de mata e tiraram bromélias do paisagismo. Não podemos colocar uma planta como culpada por um problema que é principalmente de saneamento”, frisou ele.

Ainda segundo o professor, há cuidados preventivos para quem cultiva bromélias, para ajudar a controlar o possível desenvolvimento da larva do mosquito. Por exemplo, é necessário trocar a água que fica acumulada na planta uma vez por semana com um jato de água, preencher o “tanque” com pó de serra, ou usar uma calda de borra de café.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde de Natal (SMS) informou que faz orientações ao responsáveis pelos imóveis. Ainda de acordo com a SMS, o Centro de Controle de Zoonoses fará uma visita ao local na Zona Leste de Natal, com o canteiro de bromélias, para averiguar melhor a situação.

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