A vereadora de Natal Brisa Bracchi (PT) afirmou que a denúncia que motivou a abertura do processo de cassação do seu mandato na Câmara Municipal perdeu objeto. Em entrevista ao AGORA RN, a parlamentar destacou que os artistas que receberiam cachês com recursos das emendas destinados por ela decidiram abrir mão dos valores.
“O nosso mandato tinha destinado recursos para o pagamento de três cachês artísticos, mas esses artistas, em um ato de solidariedade aos ataques que nós temos recebido, preferiram anular o processo e, apesar de já terem se apresentado e, por isso, tinham direito ao recebimento dos seus cachês, vão abrir mão e vão deixar que as suas apresentações sejam uma doação ao evento”, declarou.

A fala de Brisa aconteceu após a Câmara Municipal de Natal aprovar, nesta terça-feira, por 23 votos a 3, a abertura do processo de cassação da vereadora, com base em denúncia apresentada pelo vereador Matheus Faustino (União). Ela é acusada de destinar R$ 18 mil em emendas parlamentares ao evento “Rolé Vermelho”, realizado no dia 9 de agosto, que foi criticado por ter caráter político.
Brisa garantiu que o evento não teve vínculo partidário. “Primeiro que o evento não foi uma realização partidária, por mais que tenha sido organizado por um espaço cultural que é de esquerda. Mas partidário, que é de fato o que foi apresentado (na denúncia), não foi. Inclusive, desafiei quem encontrasse uma bandeira do PT, uma bandeira do partido ou qualquer coisa que relacionasse o partido à realização do evento”, disse.
Defesa do mandato
A parlamentar afirmou que, com a devolução dos recursos, as acusações perdem sentido. Ela reforçou que continuará exercendo suas funções normalmente enquanto responde ao processo. “Importante dizer que o que foi votado é apenas a abertura do processo. Nosso mandato segue na Câmara, ele segue firme, segue trabalhando, segue de cabeça erguida, e agora fazendo a defesa dessas denúncias que foram apresentadas”, pontuou.
Acusações de perseguição política
Brisa atribuiu o processo à atuação de Matheus Faustino, a quem acusa de perseguição e violência política. “O vereador, desde o início dos trabalhos aqui na Câmara, faz um processo de perseguição política contra o nosso mandato. Vale a gente lembrar que o vereador só começou a me chamar pelo meu nome quando foi chamada a atenção, inclusive pelo presidente da casa, porque me desrespeitava e queria me apelidar com questões da minha aparência”, relatou
Para ela, a iniciativa do colega culminou na tentativa de cassação. “É um vereador que vem tendo reiterados processos de violência política conosco, de perseguição do mandato e agora culminou nesse pedido de abertura desse processo, mas nós vamos aqui firmemente responder”, acrescentou.
Próximos passos
A vereadora disse que vai utilizar todos os instrumentos de defesa disponíveis. “No mais, a gente vai seguir aqui fazendo a nossa defesa, apresentando os argumentos políticos, jurídicos também e seguindo o nosso trabalho firme e forte, como todo mundo me conhece, sou combativa e não é agora que eu vou abaixar a cabeça”, afirmou.
Ela também frisou que ainda não foi alvo de questionamentos por parte dos órgãos de fiscalização. “Importante dizer que o nosso mandato não recebeu até o momento nenhuma intimação oficial do Ministério Público, do Tribunal de Contas, também do Estado”, concluiu.