Sentimento visível de frustração em Melbourne, na Austrália, após empate contra a Jamaica, pela terceira rodada da primeira fase da Copa do Mundo Feminina, nesta quarta-feira, 2. Com isso, o Brasil deu adeus à competição ainda na primeira fase. A última vez que uma desclassificação nas etapas iniciais de um mundial feminino tinha acontecido foi em 1995. A partida que ajudou a Jamaica a fazer história deixou também um marco: o adeus definitivo de Marta.
Esta é a terceira vez que a Canarinho é desclassificada na fase de grupos. A campanha na Copa do Mundo 2023 teve uma vitória na estreia, contra o Panamá, uma derrota contra a França e o empate contra a Jamaica, que marcou o fim da participação brasileira no torneio.

Dentro de campo, o Brasil até tentou, mas o que se viu foi um time pouco criativo e que errou bastante. Principalmente quando chegava na área adversária. Mesmo com maior posse de bola durante o jogo, não conseguiu criar oportunidades claras de gol e converter em gol as poucas que apareceram. Os detalhes fizeram a diferença de forma negativa para a Seleção Brasileira. Seja para a assistência ou mesmo para a finalização.
O que acabou custando caro. A Jamaica, que montou um verdadeiro ferrolho defensivo, ofereceu pouco perigo e sabia que o empate era suficiente para a classificação. Funcionou.
DESPEDIDA
Após a sexta participação em mundiais, e com o título de maior artilheira da história do torneio, entre homens e mulheres, Marta fez o último jogo pela seleção brasileira em Copas do Mundo. “Marta acaba por aqui, estou grata pela oportunidade que tive, e muito contente com tudo isso que vem acontecendo com o futebol feminino do nosso Brasil e do Mundo. Para mim é o fim da linha agora, para elas só o começo”, declarou em entrevista à TV Globo.
Ela não conseguiu esconder a tristeza após o jogo. “É difícil falar num momento como esse. Não era, nem nos meus piores pesadelos, a Copa que eu sonhava. Mas é só o começo. O povo brasileiro pedia renovação. Está tendo renovação. A maioria das meninas tem muito talento e um caminho enorme pela frente. É só o começo para elas. Eu termino aqui, mas elas continuam”, desabafou.
Aos 37 anos, a considerada Rainha do Futebol deu adeus e comentou a partida, dizendo que faltou paciência às brasileiras e que esperavam um jogo em que a equipe adversária tomaria uma postura defensiva. “Elas entraram para se defender e encontrar uma bola para a número 11. Essas horas precisa de paciência e manter a bola perto da área, porque qualquer deslize encontraríamos algo, coisas que poderiam ter acontecido. Agora é seguir em frente”, disse ao canal SporTV.
Jamaica 0 x 0 Brasil
JAMAICA: Spencer; Blackwood, A. Swaby, C. Swaby, Wiltshire; Sampson, Spence, Primus; Brown (Washington), Matthews (Cameron), Shaw. Técnico: Lorne Donaldson
BRASIL: Lelê; Antonia (Geyse), Rafaelle, Kethellen, Tamires; Luana (Duda Sampaio), Keronin, Adriana, Ary Borges (Bia Zaneratto); Debinha e Marta (Andressa Alves). Técnica: Pia Sundhage
- Local: AAMI Park, em Melbourne, Austrália
- Arbitragem: Esther Staubli
- Assistentes: Katrin Rafalski e Susann Küng
- Cartões amarelos: Matthews (Jamaica)
- Público: 27.638