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Pandemia
Bolsonaro pega o novo coronavírus e toma hidroxicloroquina: “Eu confio”
Oficialmente diagnosticado com a Covid-19, presidente afirmou ainda ter cancelado seus compromissos previstos para os próximos 15 dias, mas que pretende continuar trabalhando da residência oficial. Após ter febre de 38 ºC na segunda, ontem ele disse que está se sentindo bem. Presidente tem 65 anos
Redação
07/07/2020 | 23:23

O presidente Jair Bolsonaro revelou nesta terça-feira (7) que contraiu o novo coronavírus. O exame foi feito na última segunda-feira (6), sem usar codinome para identificação. Os primeiros sintomas da doença, de acordo com o relato do presidente, começaram ainda no domingo (5).

Bolsonaro, que tem 65 anos e faz parte do grupo de risco da doença, disse estar se sentindo bem após apresentar febre de 38 ºC no dia anterior. Desde o início da pandemia, mais de 1,6 milhão de brasileiros foram contaminados pela Covid-19.

Em entrevista a jornalistas de TVs no Palácio da Alvorada, o presidente afirmou que já iniciou o tratamento com hidroxicloroquina, medicamento que não tem eficácia comprovada contra a doença, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com Bolsonaro, o fato de não estar sofrendo com os sintomas mais graves da doença se deve ao uso precoce do medicamento. Na segunda-feira, Bolsonaro já havia feito um exame dos pulmões, no Hospital das Forças Armadas, e disse a apoiadores que estava “tudo limpo”.

O presidente afirmou ainda ter cancelado seus compromissos previstos para os próximos 15 dias, mas que pretende continuar trabalhando da residência oficial. “Vou ficar despachando por videoconferência. E assinar alguns papeis aqui.”O presidente já deu declarações polêmicas sobre a pandemia o vírus. Relembre.

Na entrevista, o presidente afirmou que já iniciou o tratamento com hidroxicloroquina, medicamento que não tem eficácia comprovada contra a doença. “A hidroxicloroquina, na fase inicial, a chance de sucesso é 100%”, afirmou Bolsonaro, que tem defendido o uso amplo da substância em pacientes até como forma de prevenir a covid-19, o que não encontra respaldo entre médicos e especialistas. Segundo ele, o fato de não estar sofrendo com os sintomas mais graves da doença se deve ao uso precoce do medicamento.

À noite, Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais tomando um compromido. “Eu confio na hidroxicloroquina, e você?”, disse.

Os primeiros sintomas da doença, de acordo com o relato do presidente, começaram ainda no domingo. No sábado, Bolsonaro foi a Santa Catarina sobrevoar área atingidas por um ciclone. Na ocasião, ele teve contato com autoridades locais.

“Como tudo isso aconteceu. Começou domingo com uma certa indisposição e se agravou durante o dia de segunda-feira com mal-estar, cansaço, um pouco de dor muscular e a febre no final da tarde chegou a bater 38 graus. Daí, com o médico da Presidência e com os sintomas apontando para a covid-19, fomos fazer uma tomografia no Hospital das Forças Armadas, aqui em Brasília, e os pulmões estavam limpos. Não tinha nado de opaco, mas diante dos sintomas a equipe médica resolveu fazer o teste”, afirmou.

Na segunda-feira, Bolsonaro já havia feito um exame dos pulmões, no Hospital das Forças Armadas, e disse a apoiadores que estava “tudo limpo”. Mesmo com a suspeita de estar com a doença – confirmada ontem -, ele se aproximou das pessoas e tirou fotos com quem estava em frente ao Palácio da Alvorada. O presidente usava máscara e disse que não podia ter contato muito próximo.

Assessores do presidente que se reuniram com ele também fizeram exames para coronavírus. Foi o caso dos ministros Braga Netto (Casa Civil), Jorge Oliveira (Secretaria-Geral da Presidência) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo). Braga Netto e Ramos fizeram teste rápido e o resultado deu negativo. O ministro Jorge Oliveira aguardava os resultados até a publicação desta reportagem.

Bolsonaro já deu declarações minimizando a Covid-19. Confira algumas frases:

“Superdimensionado”: Em um de seus primeiros comentários públicos sobre a doença, o presidente disse que a imprensa exagerava sobre sua gravidade. “Tem a questão do coronavírus também que, no meu entender, está superdimensionado, o poder destruidor desse vírus”, disse o presidente em evento em Miami no dia 9 de março.

“Gripezinha”: Alguns dias depois, em um pronunciamento veiculado na televisão, no dia 24 de março, quando o País já registrava mais de 10 mortes pelo vírus, o presidente criticou o fechamento de escolas e comércios. Ele ainda comparou a contaminação por coronavírus a uma “gripezinha” ou “resfriadinho” e disse que, se ficasse doente, não sofreria.

“Vamos todos morrer um dia”: Bolsonaro se posiciona contra o isolamento social e dizia, nos primeiros meses da pandemia, que era preciso isolar apenas pessoas de saúde frágil.

“E daí?”: No fim de abril, o presidente foi perguntado por um repórter o que ele tinha a dizer sobre o recorde diário de mortes notificadas naquele dia. Ao que o presidente respondeu: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”, disse, em referência ao seu nome, Jair Messias Bolsonaro.

‘’Não precisa entrar em pânico’’: Nesta terça, ao confirmar que contraiu a Covid-19, o presidente afirmou que sente “mal-estar, cansaço, um pouco de dor muscular”.

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