O Banco do Brasil pretende ampliar sua atuação no Rio Grande do Norte no segundo semestre com a expansão do crédito para famílias, produtores rurais e empresas, ao mesmo tempo em que reforça programas voltados à renegociação de dívidas, agricultura familiar e financiamento ao setor produtivo.
A estratégia foi detalhada pelo superintendente do Banco do Brasil em exercício no Estado, Gustavo Rodrigues, durante entrevista ao podcast Economia & Negócios, apresentado pelo jornalista Elias Luz, da TV Agora RN, que apresentou números da instituição no RN e defendeu a atuação do banco como instrumento de desenvolvimento econômico. Segundo ele, além da liderança nacional no agronegócio, o Banco do Brasil busca ampliar sua participação em cadeias produtivas consideradas estratégicas para a economia potiguar, como agricultura irrigada, carcinicultura, energias renováveis e pequenas empresas.

O executivo informou que o banco encerrou o primeiro semestre com carteira de crédito superior a R$ 6 bilhões no Estado e mais de R$ 8 bilhões em recursos administrados. A instituição possui mais de mil funcionários no Rio Grande do Norte, está presente em 157 municípios e mantém 733 pontos de atendimento, alcançando aproximadamente 94% das cidades potiguares. “O Banco do Brasil é o grande parceiro financeiro do nosso Estado. Mais do que crescer como instituição, queremos impulsionar o desenvolvimento das famílias, das empresas, do agronegócio e da economia regional”, afirmou.
Ao longo da entrevista, Gustavo Rodrigues abordou temas que hoje ocupam espaço central na economia potiguar, desde a renegociação de dívidas pelo Desenrola até o financiamento do Plano Safra, passando pelos desafios da infraestrutura energética e pelas oportunidades de expansão da agricultura familiar. Os assuntos, segundo ele, estão diretamente relacionados à capacidade de investimento e geração de renda no Estado.
Desenrola mobiliza mais de 200 mil acordos
Um dos principais temas abordados foi o programa Desenrola, que continua em vigor e ainda permite renegociações até o dia 3 de agosto. Segundo Gustavo Rodrigues, somente no Rio Grande do Norte o Banco do Brasil já formalizou mais de 200 mil acordos, totalizando aproximadamente R$ 150 milhões em dívidas renegociadas.
O programa contempla pessoas físicas, produtores rurais, estudantes e micro e pequenas empresas, permitindo que clientes retomem acesso ao crédito após regularizarem pendências financeiras. “O objetivo é permitir que essas pessoas reduzam a inadimplência, recuperem capacidade financeira e voltem a consumir e investir”, afirmou.
Segundo o superintendente, podem ser renegociadas operações contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos. Os descontos chegam a 90% sobre o valor da dívida, as taxas de juros ficam limitadas a 1,99% ao mês, há possibilidade de parcelamento em até 48 vezes, sem entrada, além de carência de até 35 dias para início dos pagamentos.
Crédito rural amplia foco na agricultura familiar
Outro tema que ganhou destaque foi o fortalecimento da agricultura familiar por meio do programa Agro Sertão, desenvolvido pela Fundação Banco do Brasil. O projeto busca recuperar a tradição do cultivo de algodão no Seridó potiguar por meio da oferta de equipamentos, assistência técnica, capacitação e fortalecimento das associações locais.
Segundo Gustavo Rodrigues, desde 2022 o programa atende 350 famílias distribuídas em 17 municípios, abrangendo aproximadamente 300 hectares cultivados. Os agricultores já colheram cerca de 170 mil quilos de algodão em rama e 70 mil quilos de algodão beneficiado, gerando receita superior a R$ 1,24 milhão. “O Agro Sertão mostra como uma parceria bem estruturada permite resgatar uma vocação histórica do Seridó, gerar renda e manter as famílias no campo”, destacou. O dirigente informou ainda que a intenção é ampliar iniciativas semelhantes para outras regiões do Estado, aproveitando vocações produtivas locais e priorizando práticas agroecológicas sustentáveis.
Plano Safra amplia recursos para o RN
Na avaliação do superintendente, o agronegócio continuará sendo uma das prioridades do Banco do Brasil no segundo semestre. A instituição possui atualmente mais de 42 mil produtores rurais como clientes no Rio Grande do Norte e carteira superior a R$ 200 milhões destinada ao setor. Para o Plano Safra 2026/2027, o banco reservou mais de R$ 254 milhões exclusivamente para operações no Estado.
Os recursos poderão ser utilizados em financiamentos para custeio, investimentos, comercialização e industrialização, contemplando desde agricultores familiares até grandes produtores. Rodrigues destacou que a carcinicultura, atividade considerada estratégica para o Rio Grande do Norte, também integra o conjunto de cadeias produtivas apoiadas pelo banco. Segundo ele, há espaço para financiamento de projetos voltados à ampliação da produção, modernização tecnológica, irrigação e armazenagem.