O Banco do Nordeste (BNB) pretende contratar até R$ 4 bilhões em operações de crédito no Rio Grande do Norte em 2026. A projeção inclui financiamentos para energias renováveis, indústria, comércio, agricultura e pequenos negócios, segundo o superintendente estadual da instituição, Jeová Lins.
Parte dos recursos deverá apoiar projetos vinculados à Chamada Nordeste, iniciativa coordenada pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e pelo Consórcio Nordeste. A ação reúne 41 projetos, que somam mais de R$ 51 bilhões, e conta com recursos do BNB, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

De acordo com Lins, o banco trabalha com um piso de R$ 3 bilhões para aplicações no Rio Grande do Norte neste ano. Desde 2023, foram financiados R$ 3,8 bilhões no Estado dentro da Nova Indústria Brasil, política industrial do governo federal. Somente em 2026, as contratações relacionadas ao programa alcançaram R$ 370 milhões.
O BNB também analisa uma demanda de aproximadamente R$ 3 bilhões para empreendimentos ligados a data centers, sistemas de armazenamento com baterias e novas fontes de energia. As operações poderão ser contratadas ao longo deste ano e de 2027.
“O Banco tem interesse em chegar e o Rio Grande do Norte vai privilegiar esses bons projetos”, afirmou o superintendente. Segundo ele, a condição do Estado como produtor de energia renovável abre espaço para investimentos em armazenamento, geração distribuída, hidrogênio verde, amônia e fertilizantes.
O banco atua no financiamento de projetos de energia renovável no Nordeste desde 2009. Para Lins, a expansão da geração precisa ser acompanhada por empreendimentos capazes de consumir ou armazenar a eletricidade produzida no Estado. A carteira também pode contemplar indústrias farmacêuticas e projetos enquadrados em outros segmentos definidos pela chamada pública.
As micro e pequenas empresas poderão disputar os recursos, desde que os projetos atendam aos critérios do programa. O superintendente afirmou que os negócios de menor porte permanecem entre as prioridades do banco, inclusive fora das linhas destinadas à política industrial.
No segmento de microfinanças, o BNB opera por meio do Crediamigo, destinado a empreendedores urbanos, e do Agroamigo, voltado principalmente à agricultura familiar. Embora possua 21 agências no Estado, a instituição afirma atender os 167 municípios potiguares por meio de agentes de crédito.
No ano passado, as operações destinadas a mini e pequenos empreendedores pelos dois programas superaram R$ 1,5 bilhão. Para 2026, o banco trabalha com uma meta conjunta de R$ 1,8 bilhão. Desse total, cerca de R$ 850 milhões deverão ser aplicados na agricultura familiar e empresarial, R$ 600 milhões em micro e pequenas empresas e R$ 700 milhões por meio do Crediamigo.
A atuação em campo é realizada por 57 colaboradores do Crediamigo e cerca de 37 agentes do Agroamigo. Eles identificam potenciais clientes, analisam as atividades, oferecem orientação e acompanham a aplicação dos recursos.
Lins afirmou que o modelo permite ao banco conceder crédito desde Natal até municípios do interior sem depender da presença de uma agência física em cada cidade. O Crediamigo completa 28 anos em 2026, enquanto o Agroamigo chega aos 22 anos de operação.
A digitalização dos contratos também foi apontada como meio de ampliar o atendimento nas áreas rurais. No Agroamigo, o cliente pode assinar eletronicamente a operação, movimentar o valor pelo aplicativo do BNB e realizar transferências sem precisar se deslocar até uma agência.
Com a combinação entre projetos industriais de maior porte e programas de microcrédito, o banco pretende distribuir os financiamentos entre diferentes setores da economia potiguar. Segundo Lins, a meta de R$ 4 bilhões não inclui apenas a indústria, mas também grandes operações no comércio e no setor de energias renováveis.