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Entrevista
Aula online terá força maior no pós-pandemia, diz Paulo de Paula
Fundador da Universidade Potiguar e por trás do Colégio Porto, empresário Paulo de Paula analisa cenário educacional por pandemia e considera precipitada a retomada das aulas no Rio Grande do Norte para o mês de agosto
Redação
06/07/2020 | 00:33

Um dos nomes mais celebrados da educação privada potiguar, o empresáio Paulo de Paula também é conhecido pelo pragmatismo e a capacidade de transformar empreendimentos na área em projetos muito bem-sucedidos. Nessa entrevista, como não poderia deixar de ser, ele fala sobre as consequências da pandemia do novo coronavírus para as escolas que atuam em todo os níveis e sustenta: tudo agora dependerá da adaptação ao novo normal.

Agora RN – Como empresário da educação há muitos anos, como o senhor nos resumiria a crise sanitária do coronavírus ao segmento?

Paulo de Paula – Essa pandemia pegou o setor educacional – como, de resto, todos os setores e cadeias produtivas – em cheio. E foi direto também nas famílias, atingindo tanto as crianças do Infantil, como os meninos do Fundamental e os jovens do Ensino Médio e Superior. Mas tingiu a todos de formas diferentes. No infantil, obrigou muitos pais a lidarem com uma situação sem o menor preparo e com limitações de conectividade pela internet, morando em apartamentos pequenos. E, é claro, isso exigiu muito das famílias. Calculo que cerca de 40% das escolas privadas não acompanharam esse processo.

Agora – E com relação ao ensino fundamental?

PP – No ensino fundamental não há como as escolas não acompanharem esse momento, já que se trata de uma questão regulamentada. Mesmo assim, as famílias sofreram muito, tendo as escolas a se adaptarem a este momento.

Agora – E no ensino médio?

PP – No ensino médio houve uma interação maior do aluno com as escolas e estas, por sua vez, muitas delas, foram obrigadas a se reinventar para atender seu público.

Agora – No ensino superior a resposta também foi favorável?

PP – Com a experiência dos alunos ao on line é claro que a adaptação foi bem mais favorável, mas também pegou o setor em cheio. Ao ponto de empresas como capital aberto do setor terem grandes perdas no valor de suas ações.

Agora – Então, quais as consequências podemos esperar do ensino em todas as suas faixas a partir de agora com a pandemia?

PP – Com certeza podemos esperar um avanço do on line em todos os níveis a partir de agora nesse novo normal. E as escolas precisarão a se adaptar a isso.

Agora – O senhor vislumbra a possibilidade de fusões entre instituições do ensino privado como consequência da pandemia ou o mercado tenderá a se adaptar sem muitas mudanças?

PP – O resultado da pandemia para as escolas como empresas é realmente inusitado. Muitas escolas pequenas não terão condição de voltar ao que era antes da crise e fecharão e já acontece uma concentração no setor na forma de fusões, incorporação e ofertas publicações de ações na Bolsa de Valores e a venda de grandes escolas, como já aconteceu recentemente em Natal.

Agora – Na sua opinião as autoridades estaduais estão lidando bem com esse momento?

PP – O governo vem atuando dentro do possível em relação ao setor educacional. Não há muito a se fazer, já que se trata de um segmento – a exemplo de outros – que deve seguir protocolos e aguardar essa reabertura, até onde se sabe, para meados de agosto, o que eu acho precipitado ainda, já que não é a escola o único fator de risco. Muitos desses jovens se deslocarão de ônibus e não é tão simples administrar esse processo.

Agora – Em poucas palavras, o que o senhor diria para os empresários potiguares neste momento extremamente delicado.

PP – Diria que acontecerão de fato mudanças de hábitos. E quem entender melhor esse momento de mudanças de hábitos ancorado em tecnologia vai sair na frente, inclusive, mais fortalecido.

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