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Entrevista
Antenor Roberto sobre Fábio Faria: “Tem que ter muito cuidado com o que anda dizendo por aí”
Vice-governador do Rio Grande do Norte saiu em defesa da gestão que integra, criticando atitude do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que chamou a governadora Fátima Bezerra de “cara de pau” e “mentirosa”. E disse que "vice de Fátima será fruto de construção política”
Redação
26/06/2021 | 09:21

O vice-governador do Rio Grande do Norte, Antenor Roberto (PC do B), defendeu o governo de Fátima Bezerra (PT) das críticas do ministro das Comunicações, Fábio Faria, que esteve recentemente no Rio Grande do Norte, ao lado do presidente Jair Bolsonaro. Fábio chamou a governadora de “cara de pau” e “mentirosa” que, segundo ele, quis ganhar a “paternidade” da compra das vacinas contra a covid.

Sobre a sucessão do ano que vem, o vice-governador disse que o nome que comporá a chapa, como vice de Fátima, será fruto de uma construção política. Ele defende a aliança do PT como partidos como o MDB, do ex-senador Garibaldi Alves Filho. Nos bastidores da política, fala-se que Jaime Calado (PROS), secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, e Garibaldi Filho, que faz uma oposição construtiva ao governo do RN, aceitariam ser vice na chapa da petista, em 2022.

Agora RN: O ministro Fábio Faria chamou a governadora Fátima Bezerra de cara de pau, em uma visita oficial feita recentemente ao estado. De que forma o senhor se posiciona sobre essa fala?

Antenor Roberto: Então, como é que um ministro de estado que é daqui do RN, vem aqui e sequer convida a governadora para participar da agenda? Essa tem sido uma característica deles. Quando o governo é convidado, tanto pode ir como designar algum representante para ir, no caso desses dois ministros que são daqui ignoram existência do governo do estado. Além de ignorar vão pelo lado político errado, vem desacatar a governadora, isso só mostra o minimalismo desse tipo de político.

Sobre as vacinas, diferente do que ele diz, que o governo federal teve protagonismo nas vacinas, a CPI está dizendo que o governo federal que cometeu inverdades, os governadores do Brasil que criaram um amplo movimento, consegue levar o governo federal a fazer as contratações, inclusive o último contrato da Sputnik foi feito pelo governos do Consórcio Nordeste. Então, ele está faltando com a verdade, não a governadora. Ela, de fato, participou junto aos governadores do Brasil de uma grande luta que começou com o governo de São Paulo. Imagine se não fosse o governo, o Instituto Butantã, que começou a produzir as vacinas? Se não fosse isso, a mortalidade estava ainda maior. O governo que ele representa é responsável por toda essa tragédia. A governadora está no outro campo, lutando por vacinas. O fato de as vacinas serem compradas pelo governo federal é mais de que obrigação, faz parte do Plano Nacional de Imunização. Ele ficou devendo isso, foi responsável por mais de 500 mil mortes, então devagar com o andor que o santo é de barro. Ele tem um histórico de político com os pés de barro, tem que ter muito cuidado com o que anda dizendo por aí.

Agora RN: Qual a análise que senhor faz da CPI instaurada na Assembleia Legislativa, para investigar a gestão de Fátima Bezerra?

Antenor Roberto: Nós respeitamos a legitimidade do parlamento. O governo está bem tranquilo em relação ao objeto, tudo será apurado. A questão dos respiradores está judicializada, inclusive os órgãos de controle viram que não há dolo por parte do estado em relação a isso. Essa compra aconteceu em um momento em que os insumos estavam em disputa no mundo e claro que o governador Rui Costa, que era presidente do Consórcio Nordeste na época, foi na Bahia que a ação teve tramitação originária e já subiu para os tribunais superiores. O regime de contratação, seja para comprar respiradores, insumos ou mesmo para comunicação, não era pela lei original de contratos vigente; foi criada uma por emenda constitucional, um sistema extraordinário. Se nosso parlamento não tivesse dado conta disso, a mortalidade estava ainda maior. Foi preciso contratar leitos, abrir hospitais em uma velocidade que jamais íamos conseguir fazer na lei anterior de licitação. Nesse regime emergencial, o importante era ter uma grande justificativa técnica. Nossos processos e contratos da covid são baseados em termos técnicos.

Sempre fizemos uma aproximação do Ministério Público e sempre trabalhamos com muita segurança jurídica. Nós reconstruímos a Controladoria Geral do Estado, que estava defasada, então, temos equipes com expertise na Controladoria, Procuradoria e na Sesap, que é comanda por Cipriano, que é um homem de grande credibilidade política, reconhecida por seu conhecimento do SUS e por sua probidade. Foi um casamento perfeito para usarmos em um regime extraordinário, inclusive para comprar de acordo com o mercado capitalista. Sobre o contrato da comunicação, nós, inclusive, atrasamos muito, porque, pela covid, éramos para ter feito antes os contratos de comunicação, faz parte de uma das recomendações da OMS. Era para haver uma forte comunicação, para que a população soubesse as formas de contágio e prevenção. A população precisa saber sobre os perigos de infecção, a importância do isolamento social, o interesse do isolamento coletivo, para que as restrições das atividades econômicas fossem mantidas, para poder atender os protocolos sanitários. Então, nossos processos são totalmente transparentes, não temos nada a dever. Essas pessoas que querem nos investigar, e têm esse direito por serem parlamentares que participaram de um governo que recebeu centenas e centenas de milhões extras no orçamento da saúde e sequer alcançaram os gastos constitucional com a saúde, estão aí penduradas em vários processos nos órgãos de controle para darem conta disso aí.

Agora RN: Sobre a CPI do Senado, qual a sua avaliação?

Antenor Roberto: A CPI no Senado está materializando e documentando provas robustas de que, além de não tomar providências, o governo federal causou prejuízos no sistema SUS, não só na rede de assistência, quanto na imunização. Não sou eu que estou criando isso, são fatos que estão sendo documentados pela CPI. Mais de 500 mil vidas forma perdidas. Além de imunização, o governo não deu suporte aos governadores sobre os insumos, como os respiradores, por exemplo.

Agora RN: Sobre a retomada da CPI da Arena das Dunas?

Antenor Roberto: Seria injustificável abrir uma nova CPI sem ao menos concluir uma que já estava aberta, então o parlamento terá muito trabalho pela frente. Serão muito importantes informes que o governo vai levar para essa CPI da Arena das Dunas, porque nós respeitamos a segurança jurídica do contrato, mas evidentemente que já tomamos providências, através de diligências pelo próprio Tribunal de Contas do Estado, que já ensejou economicidade ao governo sobre esse contrato, e outras medidas que irão gerar mais economicidade. Da forma que a inciativa privada tem direito a receber sua parte no contrato, há aporte do estado que estava com muitas incongruências. Seguindo as recomendações do TCE, além do trabalho interno realizado pela nossa Controladoria, já estabelecemos uma comissão para revisarmos os termos de contrato de forma que não haja mais nenhum prejuízo de receitas de contrato paraoestado, comovinhaocorrendoe foram apurados pelo TCE.

Agora RN: Como tem sido essa questão dos recursos enviados pelo governo federal, nesse período? E de que forma tem sido feita a aplicação desses recursos, que é bastante questionada pela oposição?

Antenor Roberto: Em matéria de transparência, existe um ranking, é só ver nossa classificação lá. Isso vai neutralizar essa história de que não temos transparência. O volume de recursos recebidos no início de 2020 permitiu que fizéssemos uma expansão dos leitos pelo estado com 400 leitos para todas as patologias. Para se ter uma judicialização levava 44 milhões de custeio dessas decisões judiciais, ou seja, não existiam os leitos. A justiça determinava e nós tínhamos que contratar leitos privados, nós expandimos usando o recurso do governo federal de forma que dobramos a quantidades de leitos e montamos uma rede regional. Não optamos por fazer hospitais de campanha daqueles que montam e desmontam, inclusive alguns estão sendo até investigados. Fizemos o que era necessário e deixaremos um legado pós-covid. Encontramos a saúde do estado em escombros, por isso fomos para dentro criar leitos que ficarão como legado para a população. Hoje, esses leitos são custeados com receitas próprias do estado, sacrificamos nossas receitas, não temos conseguido avançar em outra áreas por causa da doença; a União não chegou junto com o custeio na segunda onda e vai deixar esse débito para com os estados.

Agora RN: Como o senhor vê essa conjuntura que está se desenhando para eleições do pró-ximo anos? Como vice-governador, abriria mão do cargo para o MDB ou outros partidos e com isso atrairia outros partidos para fortalecer a reeleição da governadora Fátima Bezerra?

Antenor Roberto: Temos que ver com naturalidade a reeleição do segundo mandato. Como você bem falou, a questão não é abrir ou não abrir mão. A questão é que houve uma precipitação de anúncios, como se existisse candidatura a vice. Não existe candidatura a vice, essa questão do vice é um resultado final de uma construção política, então o que ficou esquisito para muita gente é as pessoas se apresentarem como candidatos. Geralmente, numa campanha o que existe é uma concentraçãodecandidatosao Senado. Vamos ter dois cargos para majoritária em disputa. Aqui no estado está acontecendo uma grande possibilidade de candidaturas para o Senado, muitas vezes em detrimento dacandidatura ao governo, em razão da construção do governo Fátima, com diálogo, transparência de inclusão e ausência de uma plataforma da oposição, que é o legado do governo Robinson Faria, que é um legado difícil de ser defendido. Se eu vou continuar ou não sendo vice de Fátima, vai depender de como ela vai concluir a coordenação da negociação da secessão dela. Essa discussão ainda não aconteceu comigo.

Agora RN: Como o senhor ver essa aliança com o MDB?

Antenor Roberto: Não vejo nada de estranho nisso. Pela performance anterior do ex-presidente Lula, ele sempre rompeu em seu próprio partido ideias de alianças estreitas, então o PT. Lula se reestabelece na política, depois de mais 500 dias de prisão. Com essa suspeição do Sergio Moro, Lula volta com uma grande legitimidade.

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