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Entrevista
Agropecuária potiguar vai sair fortalecida da pandemia, avalia Marcelo Passos
Atual presidente da Associação Norte Riograndense de Criadores (Anorc), Marcelo Passos fala sobre os desafios do setor agrícola no Rio Grande do Norte no contexto do pós-pandemia
Redação
13/07/2020 | 22:53

Aagropecuária potiguar conseguiu superar a fase mais dura da pandemia do coronavírus sem perdas relevantes de receita. Agora, com o arrefecimento da doença e com as políticas públicas de retomada da economia, o setor se prepara para estar à frente do setor produtivo no Estado.

A expectativa de que as atividades agrícolas possam ajudar no fortalecimento econômico potiguar é do empresário Marcelo Passos, atual presidente da Associação Norte Riograndense de Criadores (Anorc), que falou ao Agora RN sobre os desafios para o segundo semestre, como a realização da Festa do Boi 2020. Veja a entrevista:

AGORA RN – Como o setor rural vai sair dessa pandemia na sua opinião?

MARCELO PASSOS – Eu sou um grande entusiasta e admirador do nosso segmento, da nossa força, do nosso papel na sociedade. E tenho certeza de que nós sairemos da pandemia muito mais fortes, com uma musculatura maior e mais pulsante, ratificando a nossa força sobretudo por termos sido o pilar que serviu de sustentação para a sociedade, seja por ter garantido que não houvesse um colapso de abastecimento seja por termos sido fundamentais para ajudar a evitar um grande colapso social. O setor rural, ao manter o homem – e sua família – no campo, produzindo, tem esta extrema relevância, que é histórica e que, neste contexto que vivemos, teve sobre si uma merecida lente de aumento. Por isso não tenho dúvidas que o setor rural sai muito mais forte desta pandemia.

AGORA – O senhor tem alguma novidade sobre a realização da Festa do Boi?

MP – Não, ainda não. Deveremos até o final de julho nos reunir com a Secretaria de Agricultura e com outros setores do Governo do Estado, além das demais entidades que participam como parceira do evento para tomarmos uma decisão final e discutirmos o calendário do resto do ano. Por sua tradição e relevância, a Festa do Boi precisa ter total atenção nossa neste contexto.

AGORA – A vida do produtor nunca foi fácil, a gente sabe disso. O que o senhor acha que acontecerá com o setor leiteiro potiguar com a crise financeira instalada no Estado?

MP – Temos sido insistentes em cobrar do Governo do Estado que ele atualize e mantenha em dia os pagamentos do Programa do Leite. Também temos pedido que seja implantado um modelo que permita o pagamento ao produtor direto na sua conta corrente e, também, que seja instituído o projeto “DNA do Leite Potiguar” por meio do qual o governo monitoraria de que propriedade vem o leite que abastece o programa, garantindo sua origem e, sobretudo, que este programa, que é tão admirável em sua essência, possa efetivamente ser um instrumento de transformação econômica e social do nosso setor rural.

AGORA – O senhor considera que é preciso repensar o programa do leite?

MP – O Programa do Leite precisa, a nosso ver, ser melhor calibrado, melhor fiscalizado. Ele precisa ser transparente. Todos estes instrumentos precisam ser constantes no dia a dia programa para que possamos garantir que ele seja, de fato, o potente instrumento que é para beneficiar o usuário final, o produtor e o setor primário potiguar em geral. O programa usa dinheiro público e é fundamental que o dinheiro público cumpra estas funções atendendo a todos estes pré-requisitos.

AGORA – E, por fim, que palavra o senhor teria para produtor rural do RN neste momento tão difícil?

MP – O setor rural mostrou mais uma vez sua face, sua força como pilar social e econômica da nossa sociedade. Já passou da hora de todos olharem para o setor desta forma, com melhores olhos. De enxergar a nossa importância e nossa pujança. O campo é uma espécie de estabilizador da cidade. O abastecimento, a regulação social, passam pelo campo. Portanto, fortalecer o campo é garantir tudo isso. Mas este fortalecimento passa, ainda, por uma visão de melhorar a questão do crédito desburocratizado e abundante além de projetos que estimulem o uso da tecnologia nas propriedades. Isso garante não só a produção, mas a produtividade, que é imprescindível para a viabilidade do negócio rural. Também precisamos ratificar a segurança hídrica, que começamos a vislumbrar mais fortalecida com a questão da transposição do São Francisco – efetivamente chegando até nós – e da conclusão de Oiticica. São passos históricos que tendem a fortalecer sobremaneira o nosso setor.

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